Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, terça-feira, 14 de março de 2006

O Código Da Vinci, uma simples novela?

Autor: Edson Oliveira   |   19:44   5 comentários

Utilizando-se de um estilo literário atraente, Dan Brown, através de seu bestseller O Código Da Vinci, faz propaganda do ocultismo anti-católico

(Publicado no Informativo Lepanto, nº 8)

A receita para quem quiser ficar famoso nos dias de hoje é escrever algo contra a Igreja Católica. Para acusá-la não se requerem provas. A grande mídia dará provavelmente todo a cobertura necessária e julgará como científica qualquer afirmação que se fizer.

Exemplo disso são as afirmações fantasiosas do escritor norte-americano Dan Brown. Sua obra O Código Da Vinci, livro que na versão portuguesa ultrapassa 400 páginas, já virou até filme.

Alguém poderá dizer que O Código Da Vinci é uma simples e frívola novela que só aos incautos engana. Um conto como esse não precisaria ser refutado. Mas não será incauto quem assim pensa?

A doutrina subjacente ao livro e o clima psicológico que ele cria percebe-se também no trailer de propaganda do filme. Uma voz carregada de mistério fala de “uma mensagem que foi ocultada durante séculos, [...] um segredo que pode mudar a trajetória da humanidade para sempre”. E conclui: “Não importa o que você tenha lido, não importa o que você acredita, a caminhada já começou”.

Um segredo que pode mudar a trajetória da humanidade para sempre”. Qual é esse segredo? A resposta é a base do livro, deixemos que ele nos dê a reposta: “quase tudo o que nossos pais nos ensinaram sobre Jesus Cristo é mentira”.(Dan Brown, O Código Da Vinci, Sextante, 2004, p. 223).

O livro toma ares de “apologética” religiosa e diz que Nosso Senhor não é Deus, que a Igreja Católica não é verdadeira e que o Evangelho foi deturpado pelos Apóstolos. "Apologética" entres aspas, pois, qualquer tratado apologético têm argumentos racionais, lógicos e apresenta provas, o que O Código Da Vinci não faz. De forma muito esperta na introdução do livro o leitor é confundido: “as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente à realidade”. Ele dá a entender assim que tudo o que escreverá no livro corresponde à realidade histórica. Interessante a técnica dele: “Todas as descrições de obras de arte...” não está dito que tudo o que ele vai falar do Priorado de Sião, por exemplo, “corresponde à realidade”, mas apenas que os locais que servem de cenário à novela são do modo como está escrito.

A igreja de Saint-Sulpice em Paris é um dos cenários da novela. No conto, um dos personagens procura lá a chave para desvendar o segredo do Santo Graal. Alguns meses após a publicação do livro, começaram a chegar vários turistas em busca de pistas para descobrir tal segredo! De tal maneira a novela embaralha a cabeça do leitor irrefletido. Foi necessário redigir nota aos visitantes: "Ao contrário das alegações fantasiosas de um recente best-seller, esta igreja não é um vestígio de templo pagão", escreveu o pároco.

O livro tem como uma de suas idéias centrais a suposição absurda de um falso casamento de Jesus Cristo com Santa Maria Madalena, o qual teria dado início a uma linhagem divina. Para impressionar os crédulos, um dos personagens - "Sir Teabing" -, afirma que essa descendência de Jesus Cristo e Maria Madalena é atestada por numerosos historiadores ( Op. cit., pp. 241-242). Na verdade, trata-se de escritores claramente ocultistas, que usam “o espectro de disciplinas conhecidas coletivamente como ‘esotéricas’: astrologia, alquimia, cabala, tarô, numerologia e geometria sagrada”( Michael Baigent, Richard Leigh and Henry Lincoln, Holy Blood, Holy Grail (New York: Dell Publishing, 1983), p. 19). Uma das autoras consultadas por Dan Brown, Deike Begg, é astróloga consultora da London Faculty of Astrological Studies.

Esses “historiadores” ocultistas não fazem distinção entre realidade e imaginação. Margaret Starbird, principal fonte do autor para sustentar o suposto casamento, afirma com desenvoltura: “Minha narrativa de Maria Madalena e da pequena Sarah (a suposta filha de Nosso Senhor) [...] é ficção"( Margaret Starbird, Mary Magdalene: The Beloved, www.magdalene.org/beloved_essay.php) "[...] É claro que eu não posso provar [...] que Jesus se casou ou que Maria Madalena foi a mãe da sua filha” ( Margaret Starbird, The Woman With The Alabaster Jar: Mary Magdalen and the Holy Grail (Rochester,Vt.: Bear & Co., 1993).

O Código Da Vinci é um trabalho fantasioso, uma narrativa envolvente para disseminar crenças gnósticas sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Um leitor pouco atento, hipnotizado pela narrativa, pode não discernir isso. Mas, talvez sem perceber, poderá ser picado pela dúvida: será que Brown está certo? Será que a Igreja ocultou a verdadeira história de Cristo durante 2.000 anos?

Mesmo se O Código Da Vinci se apresentasse como um mero trabalho de ficção, que não alegasse basear-se em fatos e documentos dignos de crédito, seu ataque blasfemo à Fé católica mereceria nossa rejeição indignada. Essas investidas e insinuações nos incentivam à reparação e à ação. Nós adoramos Cristo como Homem-Deus e cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica e romana, Corpo Místico de Cristo. Por esse motivo rejeitamos as blasfêmias de Dan Brown contra nosso adorável Salvador e as suas afirmações historicamente falsas e fantasiosas de que Constantino fundou a Igreja e impôs a crença na divindade de Cristo.

A Igreja Católica, ao contrário dos seus inimigos, não tem nenhum segredo ou código oculto, e nunca temeu proclamar a verdade inteira. É pretensiosa e vã a ostentação dos promotores do filme, na sua tentativa de “abalar os fundamentos da Cristandade” ou “mudar a trajetória da humanidade para sempre”.

Contra a Igreja, como prometeu seu Divino Fundador, "As portas do inferno nunca prevalecerão" (Cfr. Mt 16, 18ss)

Fonte: Revista Catolicismo (www.catolicismo.com.br) “Mensagem ocultista anti-católica em O Código Da Vinci”, dezembro 2005) .

5 comentários:

Existe um romance de aventuras no mesmo estilo do Código da Vinci, porém é um romance cristão: A CHAVE DE MICHELANGELO, eu li e percebi nele um romance maravilhoso, que mostra as mentiras do Dan Brown. A Trama tem início no Egito, com passágens por Roma, Londres e Veneza. É um livro fantático, vale a pena conhecer.

Eu não sei como as pessoas acreditam nisso.Ceus, esse mundo è muito sem noção....

Eu sou católica e tenho muita fé em Deus e é isso que me fortalece mesmo assim discordo de vc qndo diz que Dan Brown está totalmente errado, pois como vc pode ter certeza de que coisas que vc não presenciou são verdadeiras ou falsas ? Respeito sua posição sobre "a verdade católica" entretanto não consigo concordar com a veracidade inventada pela igreja que tantas vezes se contradizeu dizendo proteger os pobres estando sempre ao lado dos ricos apoiando os em qualquer decisão, mesmo que ela seja prejudicial ao próximo. Não sei se existe no munda A RELIGIÃO CERTA(embora não acredite nisso) ou se todas "as verdades" ditas tanto pela igreja, ou pela midia ou por qualquer um são reais só sei que julgar e tentar manipular as pessoas(como a igreja, a midia e os mais sabidos fazem) não é certo, pois cada ser, tem o direito de fazer suas próprias escolhas independente do que os outros vão dizer. Não sei porque me interessei em fazer este comentário, mas espero que tenha servido para alguma coisa. Muito obrigado!
Por: Stéphany

"Simples novela" não;um lixo!Ganhando dinheiro às custas da nossa fé,vão pagar caro por isso.
Salve Maria!

Li, hoje, essa pérola da Stéphany, acima, a "católica" que escreve verdade católica entre aspas, não consegue concordar com a veracidade (sic) inventada (!) pela Igreja e não sabe se existe no mundo a religião certa ...

Pena que o comentário ficou meio fora do tempo, mas a Stéphany ilustra muito bem o nível (se é que me entendem) dos consumidores de Dan Brown. Gente como ela que questiona ao extremo as verdades que teriam sido "inventadas" pela Igreja, mas aceitam sem uma mísera pitada de questionamento toda e qualquer baboseira e vigarice intelectual de um medíocre oportunista.