Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, sexta-feira, 28 de julho de 2006

Jardineiro, exemplo para os governantes!

Autor: Edson Oliveira   |   14:54   Seja o primeiro a comentar

Tratou-se aqui sobre a subsidiariedade e para demonstrarmos a naturalidade deste sábio princípio podemos pegar vários exemplos do dia-a-dia. A função que um simples jardineiro desenvolve é um destes.

Se o jardineiro vê pragas numa planta que impede seu crescimento, não vai puxar a planta para fazê-la se desenvolver na marra. Antes de tudo ele combate a praga e depois aduba a terra,, deixa o ambiente propício para que a planta mesmo siga seu rumo. Ele é, portanto, o aliado de uma ordem natural. Este é o governante exato. Observa muito, e estimula na medida em que pode., cercei aquilo que impede a livre iniciativa, mas guia pouco.

O jardineiro serviu subsidiariamente a planta. Não interferiu na esfera de ação própria a ela, apenas a auxiliou no que não lhe era possível por si só, ou seja, defender-se das pragas e melhorar a terra em que foi plantada. Feito isso, a ação do jardineiro sobre a planta acabou. Deve agora deixar que a planta se desenvolva sozinha.

Depois de visto esse fato da vida concreta - as relações entre o jardineiro e a planta - é muito fácil transpor do circuito das relações individuais para as instituições, para os países, etc.

A organicidade não é meramente individual. Os homens sentem muito bem que vários tipos de atividade eles não conseguem desenvolver sem se agruparem, formando espontaneamente uma sociedade.

Se forem à Junta Comercial de São Paulo verificar qual é o número de firmas comerciais inscritas lá, e ainda funcionando, verão que o número é enorme. Maior ainda se forem somar todas as associações de outros tipos existentes em São Paulo. Isto porque foram associações constituídas livremente, sem interferência do governo, o qual simplesmente determinou por lei como deveriam estar constituídas, para que tenham responsabilidade perante o Estado: quantos sócios podem ou não podem ter, que poderes mínimos essenciais a diretoria deve ter, umas coisas assim.

Por sua vez, o homem nota que não pode viver sozinho, tem que formar uma família. As famílias constituídas têm que formar um município. Os municípios, têm que formar uma província ou região. As regiões têm que formar um Estado. E os Estados, conforme o caso, devem formar uma federação.

Nas relações todas, o princípio de subsidiariedade se aplica brilhantemente. No que pode fazer por si, a família não deve recorrer ao apoio do município ou do Estado. Se não puder, subsidiariamente entra o município. Por sua vez, o município tem em relação ao Estado um procedimento análogo ao que a família tem com o município. Tudo quanto um município pode fazer para seu bem por si mesmo, não deve pedir apoio ao Estado. Mas se não pode fazer por si o necessário para a subsistência, tem o direito de pedir ao Estado que intervenha, pelo princípio de subsidiariedade, e o Estado tem obrigação de intervir.

Esse é o princípio de subsidiariedade, que dá os limites do poder do Estado. Pergunta-se então: "Mas o Estado, em tese, pode tudo?" "Ele poderá tudo no dia em que ninguém puder nada. Mas no dia em que ninguém puder nada, o Estado é impossível, porque com um corpo morto não se faz nada" (Frase de Plínio Corrêa de Oliveira).

Umas palavras pessoais sobre sociologia

Há meu ver, para termos uma sociologia bem fundamentada não adianta ler 4 mil livros. Temos que, antes de tudo, observar atentamente a organicidade das relações entre indivíduos. trata-se da observação comum da vida concreta.

Há uma expressão para dizer quando o sujeito é pouco previdente: "Não enxerga dois dedos adiante do nariz". Para enxergar longe, precisa começar por enxergar o imediato. O que se deve querer é enxergar o imediato, para depois ver ao longe. Deve-se sempre tomar as coisas assim, esmiuçar e conhecer. Daí se sobe. Isso dá calma, faz-se levemente. Depois disso se pode folhear os quatro mil livros, para ler só o indispensável.

O problema de muitos sociólogos é que ficam em seus escritórios formulando teorias e mais teorias, querendo ver longe sem se dar o trabalho de primeiramente observar o que ocorre a "dois dedos de seu nariz". Muitos nem se importam em saber se suas teses estão fundamentadas na realidade, resultado: quantas nações hodiernas sofreram e sofrem ainda com essas teorias. O povo russo, por exemplo, serviu, e ainda serve, como cobáia deste tipo de sociólogos.

Bem, o marxismo fracassou na Rússia, o que fizeram a maioria dos sociólogos? Fizeram novas teorias.

Quando eles aprenderão a lição básica de Filosofia que é a simples observação? Eu não sei. Só espero que não demore muito.

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