Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, domingo, 29 de outubro de 2006

Luta pelo centro exige recuo da esquerda

Autor: Edson Oliveira   |   17:43   1 comentário

Rafael Corrêa, candidato à presidência do Equador, esquerdista e muito ligado a Chávez no primeiro turno das eleições, numa entrevista à emissora de TV Teleamazonas declarou que romperá com Chávez se este se intrometer em assuntos internos do país.

Chávez apoiou formalmente os candidatos a presidente Ollanta Humala (Peru) e Andrés Manuel López Obrador (México) causando a derrota eleitoral de ambos. Rafael Corrêa, tido como favorito das eleições equatorianas, teve também seu apoio. Resultado: perdeu no primeiro turno (detalhe: dias antes as pesquisas davam a ele uma vantagem de 20% sobre o segundo colocado).

Agora, no segundo turno, Rafael Corrêa corre para buscar o eleitorado centrista chocado com o apoio de Chávez. O interessante do fato é que para ficar bem diante do público centrista – a maioria – o candidato teve que se afastar do rótulo “comunista” e se declarar “católico praticante”, além de falar que gosta muito dos EUA.

A impopularidade do comunismo perante a opinião pública, não somente a equatoriana, mas a mundial, é tão palpável que se aproximar desta ideologia é não querer vencer eleições; considerar-se comunista – ou pró-Chavez – é o mesmo que praticar suicídio eleitoral. Lula mesmo quando perguntado se era marxista respondeu: “sou torneiro mecânico” e mais recentemente disse ainda – acredite quem quiser – que nunca foi esquerdista.

São Paulo, sábado, 28 de outubro de 2006

Janer Cristaldo, o “André Petry” do MSM!

Autor: Edson Oliveira   |   23:00   3 comentários

Esses dias, ao abrir o site do Mídia Sem Máscara, MSM, (www.midiasemmascara.com.br) me deparei com o artigo Ad usum Delphini do Sr. Janer Cristaldo. Fiquei espantado com o que lia e pensando se não errei ao digitar o domínio do site, pois me via diante de um artigo que a Veja – em especial André Petry - bem poderia publicar sem nenhum escrúpulo, visto ser ela uma revista anticlerical. Quando André Petry se aposentar acredito que Janer Cristaldo será uma opção para a Revista Veja não deixar aquela tediosa coluna vazia.

Gostaria de ter tempo para escrever o que penso sobre esse artigo; na falta dele me satisfaço em transcrever alguns comentários que o Sr. Marcelo Moura Coelho, colunista do MSM, escreveu na comunidade do Orkut do mesmo [MSM].

Eis os comentários:

“O principal artifício do Janer, quando criticado, é se fazer de vítima, falar que estão querendo censurá-lo, que querem a volta da Inquisição etc. Infelizmente alguns caem e acreditam nisso.

“Ninguém pediu a censura do Janer, mas simplesmente que seus artigos não sejam publicados no MSM. E parem de inventar, porque isso não é censura. Qualquer jornal ou revista tem uma linha editorial e seus articulistas seguem essa linha. Por acaso é censura a Caros Amigos ou a Carta Capital não publicar artigos meus? Ou o MSM não publicar artigos do Frei Betto?

”Além disso, o Mídia Sem Máscara existe justamente para ser um contraponto à grande imprensa. A grande imprensa é anti-cristã. A Isto É publicou recentemente uma reportagem de capa que falava exatamente o que o Janer falou no artigo. Mesmo a Veja que é anti-Lula é completamente anticlerical. E a absoluta maioria dos artigos do Janer só repetem o que a grande imprensa diz, contra o objetivo do site.

”Tenho certeza que até o cristaldete mais empernido reconhece que o Janer destoa completamente da linha do MSM.

“Não há censura nenhuma no Obsservatore Romano. O jornal é feito por católicos e expressa a visão dos católicos, mas lá se discute qualquer assunto, mesmo os mais polêmicos.

“Comparar isso com Pravda é algo completamente irracional.”

São Paulo, sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Jovens são presos em BH por distribuirem folhetos ligando Lula ao aborto

Autor: Edson Oliveira   |   12:46   6 comentários

Reproduzido em:
http://www.juventudepelavida.com.br/default.asp
http://conjur.estadao.com.br/static/text/49691,1
http://www.diario7.com.ar/nota_completa.php?id=1845
http://againstred.blogspot.com/2006/10/lulas-second-term-started-anti.html

Dia 26, foram presos dois jovens, José Geraldo, estudante de medicina, e Antônio Dias, em Belo Horizonte, por distribuírem folhetos contra a descriminalização do aborto incluída no programa do governo Lula.

A campanha ocorria pacificamente na praça da Boa Viajem quando, a mando de petistas, policiais levaram presos dois dos jovens que manifestavam.

O folheto distribuído dizia "Não vote em Lula, vote pela Vida!", trazendo a moção pela descriminalização do aborto, feita no site do PT, juntamente com fragmentos dos sites da Canção Nova e da CNBB mostrando que Lula quer aprovar o aborto.

Mais uma vez o PT e seus seguidores mostraram suas garras autoritárias. Parece que o direito a expressão só existe quando do PT é oposição.

Se quiserem prestar solidariedade a um dos manifestantes perseguido pelos petistas, Sérgio, economista pela UFRJ, o perfil dele no orkut é:

www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15176399109520618247 . Sérgio que não chegou a ser preso ajudou a providenciar a libertação dos amigos, o que ocorreu no final da tarde do mesmo dia.

São Paulo, quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Povo Oprimido Vs. Elite Opressora

Autor: Edson Oliveira   |   13:35   Seja o primeiro a comentar

Sempre quis saber, por pura curiosidade intelectual, quem faz parte dessa "elite opressora", uma praga que a esquerda acusa de conspirar contra seus objetivos, sendo a razão única de seus fracassos e, conclusão "lógica": responsável de tantos males no Brasil e no mundo. Segundo a mesma esquerda, a "elite opressora" agora quer tirar o Lula do poder e eleger o "elitista" Geraldo Alckmin, pois se vê ameaçada a não mais oprimir o "povo". Quem será essa "elite" tão detestável?

Essa minha curiosidade já estava quase esquecida por causa de tantos outros problemas, quando nesses dias, estando em um bairro do subúrbio de Salvador/BA , vejo escrito num cartaz de um boteco o seguinte slogan: "Vote contra a corrupção, vote Geraldão!". Depois de ler isso, fiquei me perguntando se finalmente não achei a "elite opressora" escondida num bar do suburbio.

E, paradoxo, observei no mesmo dia, em vários carros - cujas marcas indicam um valor acima de R$ 40.000,00 -, em em bairro de classe-média, adesivos que diziam: "Lula de novo, com a força do povo!", "Wagner e Lula", etc.

Será que o "povo oprimido" passou de uma hora para outra a habitar bairros de classe-média e a possuir carros bons? E a "elite opressora" passou a morar e possuir bares nos subúrbios?

Não quero pensar com isso que todo pobre votará em Alckimin e que todo sapo (expressão de Plínio Corrêa de Oliveira para indicar um rico esquerdista) votará em Lula. Mas que os campos não estão tão delineados assim para que a esquerda possa sair dizendo com toda a ufania que todo pobre é esquerdista e todo rico é direitista sem cair em desonestidade intelectual com a realidade brasileira. Se formos ver bem, em termos de porcentagem, os ricos são mais esquerdistas que os pobres, que na maior parte dos assuntos polêmicos se mostram conservadores.

Infelizmente, mais uma vez o período de discursos eleitorais no Brasil irá ser resumido em slogans e frases vazias de realidade.

São Paulo, quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Frases Antigas

Autor: Edson Oliveira   |   15:57   Seja o primeiro a comentar

Frases

Inicio este espaço para colocar aqui as frases antigas que ficaram em destaque no topo, à direita, do blog. Convém ressaltar que a citação da frase com o nome do respectivo autor não importa na aceitação ou recomendação de todo o trabalho intelectual do mesmo.

4/6/2013: "A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus.". (de Bonald).

30/4/2013: "Every man dies - Not every man really lives.". (Anônimo) - Tradução livre: Todo homem morre, mas nem todo homem realmente vive.

28/4/2011: "Pourquoi sommes-nous toujours fascinés par ces images du passé? Parce que nous sommes des espèces de dieux quand nous regardons en arrière. Dieu connaît tous les temps et Il connaît tous les avenirs. Nous ne connaissons qu'un avenir: c'est l'avenir du passé". (Jean d'Ormesson, Au plaisir de Dieu, Éditions Gallimard, 1974, pág. 77) - Tradução livre: Por que nós sempre nos fascinamos pelas imagens do passado? Porque somos uma espécie de deuses quando olhamos para trás. Deus conhece todos os tempos e Ele conhece todos os futuros. Nós não conhecemos senão um futuro: o futuro do passado.

16/4/2009: "Certos homens odeiam a verdade, por amor daquilo que eles tomaram por verdadeiro!". (Santo Agostinho, Confissões, Livro X, Cap. XXIII)

13/10/8: "Estão enganados aqueles que pensam que um alto nível de vida é a melhor e única defesa contra o comunismo. Quem somente acredita em valores materiais está mais perto da doutrina comunista do que imagina ou queira". (Ludwig Erhard, economista alemão)

23/05/2008: "Um homem que não tenha nada pelo que ele ache que vale a pena lutar, nada que ele ame mais que a sua própria segurança pessoal, é uma criatura miserável". (Stuart Mill)

05/8/2007: "O triunfo vem somente na luta". (Gary Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez, principal figura de oposição ao governo autoritário de Putin na Rússia)

07/1/2007: O homem de hoje está convencido de tudo, afora da EXISTÊNCIA de Deus e de sua própria IGNORÂNCIA. (Pe. Júlio Maria)

03/12/2006: Őλη τή ψυή - É preciso ir à verdade com toda a alma. (Platão)


04/11/2006: Escrevei, Senhor, vossas chagas em meu coração, para que nelas eu leia a dor e o amor: dor, para suportar por Vós todas as dores; amor, para desprezar por Vós todos os amores. (Santo Agostinho)

27/10/2006: Isso faz com que hoje eu goste de ter uma família. Ai, mas essas palavras saem da minha boca e me sinto um membro da TFP - Tradição, Família e Propriedade. (Dinho Ouro Preto - Capital Inicial, Entrevista à revista MTV)


24/10/2006: Putin, puro produto dos serviços secretos, não conseguiu superar suas origens e nunca deixou de atuar como coronel da tristemente célebre KGB (Anna Politkovskaya
- Jornalista recentemente [07/10/06] assassinada em Moscou)


21/10/2006: O socialismo é uma maneira facílima de ser intelectual sem ligar duas idéias. (Nelson Rogrigues)

São Paulo, segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Negação do pecado no liberalismo e no socialismo

Autor: Edson Oliveira   |   13:45   Seja o primeiro a comentar



Dentre os múltiplos aspectos da Revolução, é importante ressaltar que ela induz seus filhos a subestimarem ou negarem as noções de bem e mal, de pecado original e de Redenção.
A Revolução é, como vimos, filha do pecado. Mas, se ela o reconhecesse, desmascarar-se-ia e se voltaria contra sua própria causa.
Explica-se, assim, porque a Revolução tende, não só a passar sob silêncio a raiz de pecado da qual brotou, mas a negar a própria noção do pecado. Negação radical, que inclui tanto a culpa original quanto a atual, e se efetua principalmente:
• Por sistemas filosóficos ou jurídicos que negam a validade e a existência de qualquer Lei moral ou dão a esta os fundamentos vãos e ridículos do laicismo.
• Pelos mil processos de propaganda que criam nas multidões um estado de alma em que, sem se afirmar diretamente que a moral não existe, se faz abstração dela, e toda a veneração devida à virtude é tributada a ídolos como o ouro, o trabalho, a eficiência, o êxito, a segurança, a saúde, a beleza física, a força muscular, o gozo dos sentidos, etc.
É a própria noção de pecado, a distinção mesma entre o bem e o mal, que a Revolução vai destruindo no homem contemporâneo. E, ipso facto, vai ela negando a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sem o pecado, se torna incompreensível e perde qualquer relação lógica com a História e a vida.

EXEMPLIFICAÇÃO HISTÓRICA: NEGAÇÃO DO PECADO NO LIBERALISMO E NO SOCIALISMO


A. A conceição imaculada do indivíduo

Na fase liberal e individualista, ela ensinou que o homem é dotado de uma razão infalível, de uma vontade forte e de paixões sem desregramentos. Daí uma concepção da ordem humana, em que o indivíduo, reputado um ente perfeito, era tudo, e o Estado nada, ou quase nada, um mal necessário... provisoriamente necessário, talvez. Foi o período em que se pensava que a causa única de todos os erros e crimes era a ignorância. Abrir escolas era fechar prisões. O dogma básico destas ilusões foi a conceição imaculada do indivíduo.
A grande arma do liberal, para se defender contra as possíveis prepotências do Estado, e para impedir a formação de camarilhas que lhe tirassem a direção da coisa pública, eram as liberdades políticas e o sufrágio universal.

B. A conceição imaculada das massas e do Estado

Já no século passado, o desacerto desta concepção se tornara patente, pelo menos em parte. Mas a Revolução não recuou. Em vez de reconhecer seu erro, ela o substituiu por outro. Foi a conceição imaculada das massas e do Estado. Os indivíduos são propensos ao egoísmo e podem errar. Mas as massas acertam sempre, e jamais se deixam levar pelas paixões. Seu impecável meio de ação é o Estado. Seu infalível meio de expressão, o sufrágio universal, do qual decorrem os parlamentos impregnados de pensamento socialista, ou a vontade forte de um ditador carismático, que guia sempre as massas para a realização da vontade delas.

A REDENÇÃO PELA CIÊNCIA E PELA TÉCNICA: A UTOPIA REVOLUCIONÁRIA

De qualquer maneira, depositando toda a sua confiança no indivíduo considerado isoladamente, nas massas, ou no Estado, é no homem que a Revolução confia. Auto-suficiente pela ciência e pela técnica, pode ele resolver todos os seus problemas, eliminar a dor, a pobreza, a ignorância, a insegurança, enfim tudo aquilo a que chamamos efeito do pecado original ou atual.
Um mundo em cujo seio as pátrias unificadas numa República Universal não sejam senão denominações geográficas, um mundo sem desigualdades sociais nem econômicas, dirigido pela ciência e pela técnica, pela propaganda e pela psicologia, para realizar, sem o sobrenatural, a felicidade definitiva do homem: eis a utopia para a qual a Revolução nos vai encaminhando.
Nesse mundo, a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo nada tem a fazer. Pois o homem terá superado o mal pela ciência e terá transformado a terra em um “céu” tecnicamente delicioso. E pelo prolongamento indefinido da vida esperará vencer um dia a morte.

São Paulo, quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Conexão entre Liberalismo e Igualitarismo na utopia marxista

Autor: Edson Oliveira   |   14:45   4 comentários

Em um universo no qual Deus criou desiguais todos os seres, inclusive e principalmente os homens, a injustiça é a imposição de uma ordem de coisas contrária a que Deus, por altíssimas razões, fez desigual. (1) Assim, a justiça está na desigualdade. (2)

Entretanto, Deus criou as desigualdades, não aterradoras e monstruosas, mas proporcionadas à natureza, ao bem-estar e ao progresso de cada ser, e adequadas à ordenação geral do universo. E tal é a desigualdade cristã. (3) Desigualdade harmônica, convém insistir.

Análogas considerações se poderiam fazer acerca da liberdade no universo e na sociedade.

No ocidente surgiu uma sociedade cujos fundamentos foram baseados nessa desigualdade e liberdade harmônicas: a Civilização Cristã.

Na Encíclica Immortale Dei, Leão XIII descreveu nestes termos a Cristandade medieval: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”. (4)

Mas, nessa sociedade surgiu uma crise, não digo uma crise diretamente nas idéias, mas uma crise nas tendências. Ela aos poucos foi tendendo para um estado de coisas diferente – propositadamente não digo ordem de coisas. Essa crise tendencial não demorou em passar para o campo ideológico. E deste para os fatos. Daí surgiu as grandes revoluções – Pseudo-Reforma, Revolução Francesa, Comunismo e Sorbonne (5) – que impulsionaram e impulsionam o ocidente para este estado de coisas fundamentalmente contrárias à ordem existente na Cristandade medieval.

Essas grandes revoluções que marcaram as páginas da História são apenas degraus de uma única Revolução. (6)

Na raiz desta tendência revolucionária estão principalmente duas paixões desregradas: o orgulho e a sensualidade. Estes se exprimem em dois valores metafísicos: A igualdade absoluta e a liberdade completa. (7)

A tese igualitária exprimiu-se na Declaração dos Direitos do Homem - magna carta da Revolução Francesa e da era histórica por esta inaugurada – em toda a sua nudez: ”Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”. É claro que este princípio é suscetível de uma boa interpretação. Fundamentalmente, isto é, considerados em sua natureza, os homens realmente são iguais. É apenas pelos acidentes que são desiguais. Por outro lado, sendo dotados de uma alma espiritual, e portanto de inteligência e vontade, são eles fundamentalmente livres.

Os limites dessa liberdade estão apenas na lei natural e divina e no poder das diversas autoridades espirituais e temporais às quais os homens devem sujeitar-se. (8)

O orgulho leva o homem a rejeitar qualquer superioridade existente em outrem, e gera nele um apetite de preeminência e de mando que facilmente chega ao paroxismo. Pois o paroxismo é o ponto final para o qual tendem todas as desordens.

Em seu estado paroxístico, o orgulho assume coloridos metafísicos: já não se contenta em sacudir em concreto esta ou aquela superioridade, esta ou aquela estrutura hierárquica, mas deseja a abolição de toda e qualquer superioridade, em qualquer campo em que exista.

A igualdade onímoda e completa se lhe afigura então a única situação suportável e, por isso mesmo, a suprema regra da justiça. Assim, o orgulho acaba por engendrar uma moral própria. E no âmago dessa moral orgulhosa está um princípio metafísico: a ordem do ser postula a igualdade, e tudo quanto é desigual é ontologicamente mau. (9)

A igualdade absoluta é, para o que chamaríamos de orgulhoso integral , o valor supremo ao qual tudo tem de se conformar.

O liberalismo, na sua fórmula mais radical, é uma mentalidade que diz que todo homem é livre para fazer o que bem entende de sua vida, não aceita freios nem limites e se revolta contra toda autoridade e toda lei. Chegando até a lutar pela supressão do Estado.

O escritor socialista francês Laurent Joffrin assinala satisfeito: “Certas correntes do neoliberalismo se situam nas antípodas desta ressurreição da ordem moral, pregando um liberalismo integral que proíbe a coletividade de intrometer-se em qualquer das preferências pessoais dos cidadãos por muito contrárias que possam parecer à moral corrente. O movimento libertário, uma das facções mais ativas do neoliberalismo, fala por exemplo em nome dos direitos do indivíduo para que se permita a venda livre de narcóticos. (...)

“O esquerdismo se dissolveu na crise. Hoje em dia, é o liberalismo o que tem seus extremistas, (...) os anarco-capitalistas. (...) O partido libertário, principal organização desta nebulosa anarco-capitalista, aumenta cada ano sua influência. (...)Os libertários já não querem o Estado, (...) querem suprimir as leis e os regulamentos. (...) Os libertários pedem, assim mesmo, a supressão pura e simples da justiça, da polícia e do exército. Os queixantes recorreram a juízes particulares, (...) os cidadãos à milícia privada para lutar contra os crimes”. (10)

Sobre este mesmo tema, Laurent Joffrin enumera com bibliografia fundamental: Henri Arvon, Les libertariens américains, PUF, Paris, 1983; David Friedman, The Machinery of Freedom, Harper na Row, New York, 1973; Pierre Lemieux, Du libéralisme à l´anarcho-capitalisme, PUF, Paris, 1983; Robert Nozick, Anarchy, State and Utopia, Basic Books, New York, 1974. (11)

A primeira vista, a ditadura do proletariado cujo fim é a instauração da igualdade social, pareceria o contrário do que pretende o liberalismo. Pois, como os homens podem ser livres debaixo de uma ditadura férrea?

Deixo a resposta com o professor Plínio Corrêa de Oliveira:

É bem verdade que uma ordem de coisas igualitárias suporia o dirigismo, pois a liberdade produz naturalmente a desigualdade. (...) Para eles [os comunistas], o dirigismo total inerente à ditadura do proletariado deve estabelecer de uma vez por todas a igualdade entre os homens. Isto alcançado, o poder político deverá desaparecer, cedendo lugar à ordem de coisas inteiramente anárquica (no sentido etimológico da palavra), na qual a plena liberdade já não engendrará desigualdades. Para os comunistas, não há senão uma incompatibilidade transitória entre a igualdade e a liberdade. Sob a ditadura do proletariado, sacrifica-se provisoriamente a liberdade para instaurar a igualdade total. Esta operação, entretanto, prepara a era anárquica em que a plena igualdade e a inteira liberdade conviverão. De sorte que em seu espírito e em sua meta o dirigismo comunista é ultraliberal. Além disso, em pleno regime capitalista, o liberalismo prepara o terreno para o comunismo no que diz respeito à família e aos bons costumes. À medida que o liberalismo moral vai abrindo campo ao divórcio, ao adultério, à revolta dos filhos e dos empregados domésticos, dissolve-se, com efeito, o lar. E com isto as mentalidades se vão habituando cada vez mais a uma ordem de coisas em que não existe família. Em outros termos, vão caminhando para o amor livre, inerente ao comunismo”. (12)

Em outro livro, Plínio Corrêa de Oliveira resume o assunto:

a efervescência das paixões desregradas, se desperta de um lado o ódio a qualquer freio e qualquer lei, de outro lado provoca o ódio contra qualquer desigualdade. Tal efervescência conduz assim à concepção utópica do ‘anarquismo’ marxista, segundo a qual uma humanidade evoluída, vivendo numa sociedade sem classes nem governo, poderia gozar da ordem perfeita e da mais inteira liberdade, sem que desta se originasse qualquer desigualdade. Como se vê, o ideal simultaneamente mais liberal e mais igualitário que se possa imaginar.

“Com efeito, a utopia anárquica do marxismo consiste em um estado de coisas em que a personalidade humana teria alcançado um alto grau de progresso, de tal maneira que lhe seria possível desenvolver-se livremente numa sociedade sem Estado nem governo.

“Nessa sociedade - que, apesar de não ter governo, viveria em plena ordem - a produção econômica estaria organizada e muito desenvolvida, e a distinção entre trabalho intelectual e manual estaria superada. Um processo seletivo ainda não determinado levaria à direção da economia os mais capazes, sem que daí decorresse a formação de classes”. (13)

Assim fica descrito a conexão que existe entre o liberalismo e o igualitarismo nas concepções utópicas do comunismo. Duas faces de uma mesma moeda.




(1) cfr. Mt. 25, 14-30; 1 Cor. 12, 28 a 31; S. Tomás, "Summa contra gentiles", Livro III, Cap. LXXVII

(2) "A justiça está na desigualdade cristã", Plínio Corrêa de Oliveira, "Jornal da Tarde", 9 de junho de 1979

(3) Idem. Op. Cit.

(4) Encíclica “Immortale Dei”, de 1º-XI-1885, Bonne Presse, Paris, vol. II, p. 39

(5) O vínculo entre estas revoluções está descrito no livro “Revolução e Contra-Revolução, Plínio Corrêa de Oliveira, ArtPress, 4ª Edição, São Paulo

(6) Idem. Op. Cit.

(7) Revolução e Contra-Revolução, Plínio Corrêa de Oliveira, ArtPress, 4ª Edição, São Paulo, p. 62

(8)Auto-Retrato Filosófico, Plínio Corrêa de Oliveira, Revista “Catolicismo” (http://www.catolicismo.com.br/), outubro de 1996, N° 550

(9) Idem. Op. Cit.

(10) La Gauche en voie de disparition – Comment changer sans trahir?, pp. 44, 52-53

(11) Idem. Op.Cit. pp. 44, 53-54

(12) Baldeação ideológica inadvertida e diálogo, Vera Cruz, 3ª Edição, São Paulo, p. 11

(13) Revolução e Contra-Revolução, ArtPress, 4ª Edição, São Paulo, pp. 68-69

São Paulo, domingo, 8 de outubro de 2006

Eleições equatorianas e tentação "chavista"

Autor: Edson Oliveira   |   11:58   Seja o primeiro a comentar

Destaque Internacional - Informes de Coyuntura - Año IX - No. 204 - Madrid, Outubro de 2006 - Responsável: Javier González.
(Resumo do editorial sobre as próximas eleições presidenciais equatorianas)
Para receber gratuitamente, por e-mail, o texto completo, pressione o seguinte link:
Ecuador:EnviarTextoCompleto
* No Equador, o próximo 15 de outubro uma dezena de candidatos presidenciais disputará as eleições, em um ambiente político fragmentado e confuso que contribui a colocar os eleitores diante de uma perigosa tentação: a de passar à órbita do neoimperialismo "chavista", com Venezuela, Bolívia e Cuba.
* Chávez representa hoje, na América Latina, a ponta de lança do populismo demagógico, com idéias totalitárias e retrógradas com relação à economia, aos partidos políticos, aos meios de comunicação e à justiça, que promete bem-estar para o povo mas que na realidade, depois de despilfarrar os recursos provenientes do petróleo, poderá generalizar a miséria na Venezuela e nos países que caíram sob sua influência.
* De acordo co, as últimas pesquisas, nenhum candidato presidencial equatoriano conseguiu atrair a adesão de sectores majoritários do eleitorado: em números redondos, o social-democrata León Roldós teria 19% das intenções de votos, seguido do "chavista" Rafael Correa, com 14% e da social-cristã Cynthia Viteri com 12%.
* Se nenhum deles supera o 50%, uma hipótese que segundo os analistas equatorianos é a mais provável, se realizará um segundo turno no próximo 26 de novembro. Neste contexto, preocupa especialmente a possibilidade de que Rafael Correa, um discípulo declarado do presidente de Venezuela, Hugo Chávez, passe ao segundo turno e possa ser eleito presidente do Equador.
* O resultado das eleições equatorianas, na atual conjuntura latino-americana, será decisivo para impedir o acelerar do avance do populismo no continente. É esta a hora histórica providencial de nações como o Equador, pequenas fisicamente, mas capazes de ser grandes espiritualmente.
Tradução: Edson Carlos de Oliveira