Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Onde está Wally?

Autor: Edson Oliveira   |   23:29   4 comentários

Quem se lembra do Wally, personagem de uma série de livros ilustrados, onde o passatempo consistia em procurá-lo no meio da multidão de outras pessoas e objetos desenhados?

Pois eu me lembrei dele esses dias quando passou pela minha cabeça diversas figuras do cenário político brasileiro, mas ao invés de procurar "onde está o Wally?" eu tentei em vão achar "onde está a direita?".

Acredito que nem Martin Handford - britânico autor da famosa série - pensou em uma ilustração tão difícil - senão impossível - de resolver.

Ouço muita gente dizer que certas coisas só existem no Brasil. Não dúvido. Mas um fato também é certo: tem algo que só no Brasil - país não comunista, pelo menos ainda - não existe: um partido de direita.

Como afirmou Merval Pereira, em artigo publicado em O Globo (20.11.2007):

"Nosso país tem produzido no setor político uma aberração: não existe um partido declaradamente de direita, e disputou-se a Presidência da República desde a redemocratização sem que nenhum dos candidatos se anunciasse representante “da direita”.
Finalizo com uma súplica: Usquequo, domine? [Vulgata, Isaías 6.11, "Até quando, Senhor?"]

São Paulo, domingo, 5 de agosto de 2007

Massificação - Servidão - Fome

Autor: Edson Oliveira   |   18:50   2 comentários

O processo revolucionário[1] depois de extrair das almas, o máximo possível, o espírito da verdadeira Religião (Revolução Protestante), sepultou junto com Ela a nobreza (Revolução Francesa) e, assim que possível, a burguesia (Revolução Comunista).

Agora, depois de exaltar o proletariado - assim como outrora também o fez com a nobreza nas guerras contra o Papa e com a burguesia na luta contra a nobreza -, termina também por sepultá-lo.

"Assim, os operários, os mais insignificantes servos do Estado, foram os mais recentes ocupantes desse jazigo"[2]

Clero, nobreza, burguesia, povo... todos sepultados juntos.

"Na lápide mortuária, uma inscrição poderia trazer a designação global destas vítimas de anteontem, de ontem e de hoje:

"TRADIÇÃO - FAMÍLIA - PROPRIEDADE

"E como, segundo certas lendas populares, os jazigos das vítimas de injustiças muito gritantes são sobrevoados por confusos e atormentados turbilhões de espíritos malignos, poder-se-ia imaginar, sobrepairando essa ronda agitada, febricitante e ruidosa, uma outra trilogia:

"MASSIFICAÇÃO - SERVIDÃO - FOME"[2]

______________

[1] Conf. http://www.revolucao-contrarevolucao.com

[2]
Conf. Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza Romana, Plinio Corrêa de Oliveira, Ed Civilização, Porto, 1993.

São Paulo, sábado, 12 de maio de 2007

Gemido da fidelidade

Autor: Edson Oliveira   |   14:53   Seja o primeiro a comentar

Hoje em dia, os anticomunistas são mal vistos - senão combatidos - em quase todos os ambientes católicos, e os pró-comunistas são aí bem vistos - ou, no mínimo, não combatidos com a mesma energia com que se combate um anticomunista. E estes, com tristeza podem dizer: Extraneus factus sum fratribus meis, et peregrinus filiis matris meae – Tornei-me um estranho para meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe (Ps. LXVIII, 9). É o gemido da fidelidade.

São Paulo, segunda-feira, 23 de abril de 2007

Um recado a Catellius

Autor: Edson Oliveira   |   23:13   7 comentários

Realmente, como o Sr. profetizou, não autorizei nenhum comentário seu. Nem mesmo aquele no qual você fez essa profecia e pensou que talvez eu a esse publicasse. Como você afirmou que não se importaria com a não publicação, então dispenso-me de dar aqui as devidas razões. Quereria ter enviado esta resposta a seu e-mail; não o encontrando em sua ficha no Blogger, publico aqui temporariamente este recado.

Edson

Dados sobre o referendo de Portugal

Autor: Edson Oliveira   |   22:28   1 comentário

No dia 11 de fevereiro, ocorreu em Portugal um referendo sobre o aborto. Muito já se noticiou sobre ele, apenas coloco aqui neste espaço alguns dados que me parecem - na melhor das hipóteses - desconhecidos por alguns intelectuais, jornalistas e - quiça - religiosos favoráveis a "matança dos inocentes".

- Dos 8.832.628 eleitores inscritos, apenas 3.851.613 (43,61%) votaram.

- A abstenção somou 56,39% (4.981.015), fazendo com que o referendo não tivesse efeito vinculativo.

- Dos que votaram (apenas 43,61% dos eleitores): 59,25% o fizeram no SIM e 40,75% no NÃO.

- Os 2.238.053 que optaram pelo SIM representam apenas 25,34% de todo o eleitorado.

- Desta minoria, muitos terão votado a favor da prática do aborto livre. Mas muitos também terão sido embalados pelas enganosas promessas de campanha, algumas das quais prometiam até a diminuição desta prática.

- Assim é fácil perceber que faltava completamente legitimidade ao primeiro ministro socialista para levar adiante qualquer alteração da lei de liberalização do aborto.

Como explicar, em um ambiente público profundamente dividido, que só 43,61% dos eleitores tenham acorrido às urnas? Seria essa alta abstenção fruto do desinteresse, ou até mesmo da indiferença?
Em entrevista à agência católica de notícias, Zenit, o diretor de campanha de Ação Família afirmou a esse propósito:

“Há, é claro, uma parcela de pessoas alheadas do processo político, seja por desinteresse, seja por falta de formação. 

“Uma outra parcela dos abstencionistas é composta de pessoas que ficaram confusas com as idas e vindas do debate que, ao tentar ocultar o que realmente estava em causa, muitas vezes mais confundiu do que esclareceu.

“Por fim, uma parcela ponderável dos que se abstiveram fê-lo por demonstrar incômodo ou até oposição aberta a que o direito à vida fosse levado a referendo. Entre estes últimos, estou convencido de que muitos terão sido cristãos. E esta oposição surda é um dos fatores que retira legitimidade à fraca vitória do SIM”.

São Paulo, domingo, 22 de abril de 2007

Aborto e incoerências

Autor: Edson Oliveira   |   15:49   1 comentário

É interessante ver como os fávoreis à desciminalização do aborto usam certas frases psico-sentimentais incoerentes para justificar sua posição. Vejamos um exemplo:

Para o Dr. Aníbal Faúndes, autor do livro O drama do aborto em busca de um consenso, "Não há ninguém que ache o aborto bom. Mas a questão é: condenar a mulher vai resolver o problema?" (A Tarde, 22-4-07).

Bem, se realmente o Dr. Aníbal considera o aborto como um mal a ser resolvido, então é louvável que procure soluções para resolvê-lo. Mas, o que me fica na cabeça ao ler a pergunta posta por ele é o seguinte: será que descriminalizando o aborto vai resolver o problema do aborto? Mutatis mutandi, Isso não seria como querer descriminalizar o roubo numa tentativa de solucionar o problema dos assaltos? Segundo esse raciocínio, poderia-se fazer a mesma pergunta do doutor para a questão dos bandidos: "Não há ninguém que ache o roubo bom. Mas a questão é: condenar o bandido vai resolver o problema?"

Para mim, pobre camponês, esse argumento, além de incoerente, abre margem para desmantelar toda a ordem jurídica.

São Paulo, domingo, 18 de março de 2007

Revolução e Contra-Revolução ONLINE

Autor: Edson Oliveira   |   10:54  

Aos que se interessarem, convido a visitarem o site:

http://www.revolucao-contrarevolucao.com

Além do conteúdo do livro "Revolução e Contra-Revolução", escrito pelo professor Plínio Corrêa de Oliveira, o site disponibiliza estudos relativos à tese do livro.

São Paulo, sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Platão no sindicado

Autor: Edson Oliveira   |   14:39   Seja o primeiro a comentar

Tem-se falado muito em liberdade, aproveito a ocasião para divulgar um artigo elucidativo sobre esse tema, escrito pelo professor Plinio Corrêa de Oliveira e publicado no jornal Folha de São Paulo.





O medíocre possui alguma noção de muitas coisas. Noção vaga e flutuante, bem entendido, que não lhe custe adquirir nem conservar. Ele imagina atingir o píncaro de si mesmo quando encontra, para designar cada noção, alguma palavra vistosa ou que, pelo menos, não faça parte do mais corriqueiro linguajar.

Entre nós, uma das palavras preferidas pelo medíocre é "radical". Ele sente no ar que tachar um desafeto de radical é ser nocivo a este. Ser "radical" provoca uma repulsa meticulosa e exacerbada. Então é bom ser anti-radical, porque isto atrai simpatias. Eis assim nosso medíocre a quixotear anti-radicalismo por onde quer que passe. Mas ele murchará e mudará de assunto assim que alguém lhe objete que um anti-radicalismo tão chamejante não passa de mera forma de radicalismo. Pois para debater essa objeção – aliás tão obviamente verdadeira – o medíocre precisaria conhecer exatamente e a fundo o que quer dizer "radical". Ora, seu espírito flanador aborrece os conceitos precisos e profundos.

Análogo é o uso que o medíocre faz da palavra "liberdade". Ela lhe lembra, ao mesmo tempo, a surrada trilogia "liberdade, igualdade, fraternidade" (que ele já ouviu elogiar mil vezes), da qual gosta. Liberdade recorda, ademais, a vistosa estátua do porto de Nova York, que ele tem visto em fotografias e em anúncios. E também um vasto e populoso bairro da cidade de São Paulo. Em seu tempo de moço fumava cigarros "Liberty". E, de modo geral, está-lhe no espírito a idéia de que liberdade é algo que dá a cada qual a possibilidade de fazer absolutamente tudo quanto ache deleitável.

Quando criança, esta palavra lhe entrou no espírito. Seu professor primário retinha os alunos faltosos, depois das aulas, a copiarem, incontáveis vezes, frases como esta: "O menino bom é obediente e aplicado". Quando se esgotava o tempo, o mestre exclamava contente: "Liberdade, liberdade!" E todos os diabretes disparavam para a rua, ávidos de extravagâncias e tropelias. Este era o núcleo ideológico central que lhe ficava acerca da palavra liberdade. O cigarro, o monumento, o bairro, homenageavam de um modo ou de outro essa coisa tão gostosa que é a liberdade. A trilogia lhe parece conter o mesmo pensamento com que a palavra florescia, sorridente, nos lábios do professor.

A superficialidade do medíocre, ele mesmo não imagina que possa ter efeitos entretanto profundos. Se alguém lho dissesse, ele riria, incrédulo.

Enfrentar um medíocre seria tarefa fácil para qualquer um. Menos fácil é enfrentar os medíocres aos centos ou aos milhares. Mas essa é, hoje em dia, a contingência inevitável de quem quer que se entregue à publicidade. Pois os medíocres enchem a terra.

Não creio que eles sejam dos mais numerosos a ler estas linhas, que entretanto tratam deles. Compreendo que elas não lhes sejam confortáveis. Mas um lance de olhos num tópico ou noutro será suficiente para enfurecer vários. Pois todo homem – até o medíocre – é vivo e perspicaz quando se fala dele.

Entretanto, não hesito em afirmar até ante os medíocres, o maléfico, o profundamente maléfico de sua frivolidade.

Persuadido de que a liberdade é um bem, o medíocre conclui que quanto mais liberdade, melhor. Liberdade absoluta é, para ele, felicidade total. Eleitor, o medíocre dará seu voto ao candidato que lhe prometa liberdade sem limites. Candidato, o medíocre atrai o apoio de todos os seus congêneres. De onde transforma sua campanha eleitoral numa prelibação da liberdade absoluta, total e sem freios. Naturalmente, isto acarreta, em todas as legendas, a presença e a vitória de uma porcentagem de medíocres, maior em umas, menor em outras. Daí um impulso difuso das atividades legislativas e governamentais rumo ao extravagante, ao descabelado, ao desabrido. Pois se tudo é permitido... E da esfera estatal, esse impulso se estende a todos os outros setores da sociedade.

Quadro já muito conhecido da realidade atual? – Considere o leitor esse texto:

* * *

"Quando um povo é devorado pela sede de liberdade, acontece-lhe ter à testa líderes serviçais, que lha proporcionarão tanta quanto ele queira, a ponto de se embriagar com ela.

"Se os governantes resistem então aos desejos sempre mais exigentes de seus súditos, passam a ser qualificados de tiranos.

"Ocorre também que quem se mostra disciplinado em relação aos superiores é definido como homem sem caráter, servil.

"E que o pai, alarmado, acabe por tratar seus filhos como iguais, não sendo mais respeitado por eles.
"O mestre não ousa mais reprovar os alunos, e estes se riem dele.

"Os jovens reivindicarão os mesmo direitos, a mesma consideração atribuída aos velhos, e estes últimos, a fim de não parecerem por demais severos, acabam dando razão aos jovens.

"Nesse clima de liberdade, e em nome desta, não há consideração nem respeito por ninguém.
"Em meio a tanta licença, nasce e se desenvolve uma má planta: a tirania".

Quadro da realidade presente?

Sem dúvida, o quadro descreve bem os dias borrascosos em que vivemos. E chama a atenção, com sutileza e precisão geniais, para o proveito que deste tufão de demo-mediocridade tiram os semeadores de tirania. ou seja, hoje, os comunistas.

Mas o quadro data... de muito antes: do século IV antes de Cristo. Seu autor é Platão, que assim denuncia os radicais do liberalismo como sendo, na democracia, os verdadeiros pais da ditadura. O trecho é de "A República".

Isto não é só do século IV antes de Cristo, nem só de hoje. É de sempre. Está na própria natureza das coisas
* * *

E tenho mais algo a acrescentar: não transcrevi o grande filósofo diretamente. Limitei-me a verificar que essas palavras são realmente suas. Simplesmente foram elas retiradas, à maneira de condensação, do texto originário autêntico (cfr. "The Dialogues of Platon", Encyclopaedia Britannica, Inc., Chicago – London – Toronto, 1952, p. 412).

Esta condensação, um amigo encontrou-a, emoldurada e suspensa, numa parede da sede... de um sindicato. Eis como o grande e solene Platão penetrou assim num sindicato. E não de ricos empregadores. Nem de cultos professores. Mas de... choferes de táxi de Roma!

Este é o fruto, num povo, não da demagogia, mas da cultura e da tradição. Insisto na palavra "tradição".

São Paulo, quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Guerra Psicológica e Revolução Cultural

Autor: Edson Oliveira   |   10:14   Seja o primeiro a comentar

Fonte: A Cavalaria Não Morre - Excertos do pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira,
recolhidos por Leo Daniele.
Resumo: A grande anarquia, como uma caveira de foice na mão, parece rir sinistramente aos homens, da soleira da porta de saída do século XX(*), onde os aguarda


A guerra psicológica pode ser sumariamente definida como um conjunto de operações psicológicas destinadas a atuar sobre o ânimo do adversário, de sorte a levá-lo à capitulação antes mesmo que qualquer operação o tenha derrotado pela força.

Ela assegura ao atacante as vantagens da vitória, sem os esforços, os custos e os riscos da guerra.
Não se pense, aliás, que a guerra psicológica exclui inteiramente o emprego da força. Pois a intimidação do adversário faz parte de tal guerra, e certas operações de força ("ivasões de terras", sabotagens, atentados, sequestros, motins, etc) podem intimidar e levar à capitulação a classe social que se queira derrubar.

A guerra psicológica visa a psique toda do homem, isto é, "trabalha-o" nas várias potências de sua alma, e em todas as fibras de sua mentalidade.

Como uma modalidade de guerra psicológica revolucionária, a partir da rebelião estudantil da Sorbonne, me maio de 1968, numerosos autores socialistas e marxistas em geral passaram a reconhecer a necessidade de uma forma de revolução prévia às transformações políticas e socio-econômicas, que operasse na vida cotidiana, nos costumes, nas mentalidades, nos modos de ser, de sentir e de viver. É a chamada "revolução cultural".

O referido conceito de "revolução cultural" abarca, com impressionante analogia, o mesmo campo já designado por "Revolução e Contra-Revolução" (ArtPress, 4ª Edição, São Paulo), em 1959, como próprio da Revolução nas tendências.

A chave da Contra-Revolução tendencial não consite tanto em entrar nas tendências más, e dirigir contra elas uma guerrilha, quanto em conhecer as tendências boas, estimulá-las e favorecê-las.

A Revolução cultural é uma verdadeira guerra de conquista - psicológica, sim, mas total - visando o homem todo, e todos os homens de todos os países.

Revolução tendencial, a nova guerra

A Contra-Revolução não é nem pode ser um movimento nas nuvens, que combata fantasmas.

Ela tem de ser a Contra-Revolução do século XX(*), feita...

... contra a Revolução como hoje em concreto ela existe e, pois, contra as paixões revolucionárias como hoje crepitam;

... contra as idéias revolucionárias como hoje se formulam, os ambientes revolucionários como hoje se apresentam, a arte e a cultura revolucionárias como hoje são;

... contra as correntes e os homens que, em qualquer nível, são atualmente os fautores mais ativos da Revolução.

[É preciso] antes de tudo, acentuar a preponderante importância que (...) cabe a Revolução nas tendências.

Essas tendências desordenadas, que por sua própria natureza lutam pode realizar-se, já não se conformando com toda uma ordem de coisas que lhes é contrária, começam por modificar as mentalidades, os modos de ser, as expressões artísticas e os costumes, sem desde logo tocar de modo direto - habitualmente, pelo menos - nas idéias.

Dessas camadas profundas, a crise passa para o terreno ideológico. Com efeito - como Paul Bourget pôs em evidência em sua célebre obra "Le Démon du Midi" - "cumpre viver como se pensa, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, acabar por pensar como se viveu". (Op. cit., Librairie Plon, Paris, 1914, vol. II., p. 375)

Assim, inspiradas pelo desregramento das tendências profundas, doutrinas novas eclodem.

Essa transformação das idéias estende-se, por sua vez, ao terreno dos fatos, onde passa a operar, por meios cruentos ou incruentos, a transformação das instituições, das leis e dos costumes.

A grande anarquia, como uma caveira de foice na mão, parece rir sinistramente aos homens, da soleira da porta de saída do século XX, onde os aguarda

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(*) O texto foi escrito no século passado.