Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Guerra Psicológica e Revolução Cultural

Autor: Edson Oliveira   |   10:14   Seja o primeiro a comentar

Fonte: A Cavalaria Não Morre - Excertos do pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira,
recolhidos por Leo Daniele.
Resumo: A grande anarquia, como uma caveira de foice na mão, parece rir sinistramente aos homens, da soleira da porta de saída do século XX(*), onde os aguarda


A guerra psicológica pode ser sumariamente definida como um conjunto de operações psicológicas destinadas a atuar sobre o ânimo do adversário, de sorte a levá-lo à capitulação antes mesmo que qualquer operação o tenha derrotado pela força.

Ela assegura ao atacante as vantagens da vitória, sem os esforços, os custos e os riscos da guerra.
Não se pense, aliás, que a guerra psicológica exclui inteiramente o emprego da força. Pois a intimidação do adversário faz parte de tal guerra, e certas operações de força ("ivasões de terras", sabotagens, atentados, sequestros, motins, etc) podem intimidar e levar à capitulação a classe social que se queira derrubar.

A guerra psicológica visa a psique toda do homem, isto é, "trabalha-o" nas várias potências de sua alma, e em todas as fibras de sua mentalidade.

Como uma modalidade de guerra psicológica revolucionária, a partir da rebelião estudantil da Sorbonne, me maio de 1968, numerosos autores socialistas e marxistas em geral passaram a reconhecer a necessidade de uma forma de revolução prévia às transformações políticas e socio-econômicas, que operasse na vida cotidiana, nos costumes, nas mentalidades, nos modos de ser, de sentir e de viver. É a chamada "revolução cultural".

O referido conceito de "revolução cultural" abarca, com impressionante analogia, o mesmo campo já designado por "Revolução e Contra-Revolução" (ArtPress, 4ª Edição, São Paulo), em 1959, como próprio da Revolução nas tendências.

A chave da Contra-Revolução tendencial não consite tanto em entrar nas tendências más, e dirigir contra elas uma guerrilha, quanto em conhecer as tendências boas, estimulá-las e favorecê-las.

A Revolução cultural é uma verdadeira guerra de conquista - psicológica, sim, mas total - visando o homem todo, e todos os homens de todos os países.

Revolução tendencial, a nova guerra

A Contra-Revolução não é nem pode ser um movimento nas nuvens, que combata fantasmas.

Ela tem de ser a Contra-Revolução do século XX(*), feita...

... contra a Revolução como hoje em concreto ela existe e, pois, contra as paixões revolucionárias como hoje crepitam;

... contra as idéias revolucionárias como hoje se formulam, os ambientes revolucionários como hoje se apresentam, a arte e a cultura revolucionárias como hoje são;

... contra as correntes e os homens que, em qualquer nível, são atualmente os fautores mais ativos da Revolução.

[É preciso] antes de tudo, acentuar a preponderante importância que (...) cabe a Revolução nas tendências.

Essas tendências desordenadas, que por sua própria natureza lutam pode realizar-se, já não se conformando com toda uma ordem de coisas que lhes é contrária, começam por modificar as mentalidades, os modos de ser, as expressões artísticas e os costumes, sem desde logo tocar de modo direto - habitualmente, pelo menos - nas idéias.

Dessas camadas profundas, a crise passa para o terreno ideológico. Com efeito - como Paul Bourget pôs em evidência em sua célebre obra "Le Démon du Midi" - "cumpre viver como se pensa, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, acabar por pensar como se viveu". (Op. cit., Librairie Plon, Paris, 1914, vol. II., p. 375)

Assim, inspiradas pelo desregramento das tendências profundas, doutrinas novas eclodem.

Essa transformação das idéias estende-se, por sua vez, ao terreno dos fatos, onde passa a operar, por meios cruentos ou incruentos, a transformação das instituições, das leis e dos costumes.

A grande anarquia, como uma caveira de foice na mão, parece rir sinistramente aos homens, da soleira da porta de saída do século XX, onde os aguarda

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(*) O texto foi escrito no século passado.

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