Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, sábado, 24 de janeiro de 2009

Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloria

Autor: Edson Oliveira   |   00:12   2 comentários

Transcrevo os comentários de José Carlos Solimeo - que muito me honra como leitor deste blog - sobre o filme Henry V.

Segue um vídeo (vide abaixo), parte do filme HENRY V, de Keneth Branagh, baseado em peça de William Shakespeare, quando, ao final da batalha de Azincourt, ele ordena que ninguém se vanglorie daquela vitória, que foi uma vitória de Deus e ordena que se cante o TE DEUM e NON NOBIS DOMINE. O filme todo é espetacular, com uma atuação magistral do ator principal, que também produziu e dirigiu tal filme (com apenas 25 anos de idade). Infelizmente, depois ele só fez porcaria...

Sobre a genialidade do Diretor, note que, embora a cena dure quase cinco minutos de movimentação constante, pois, os ingleses estão se retirando do campo de batalha, carregando seus mortos, não há cortes; a cena toda foi feita de uma só tomada, portanto, sem cortes.

Neste episódio do NON NOBIS, o emissário francês se vem pela enézima vez parlamentar com o rei da Inglaterra, desta vez depois da batalha, quando - segundo o roteiro - o Rei toma conhecimento de que franceses haviam matado os pagens ingleses, o que, além de uma barbárie, pois, são meninos, era expressamente contra as leis da guerra. O Rei, por causa disso está furioso, e parte para cima do emissário francês, sem saber qual a sua missão, perguntando-lhe o que ele quer dessa vez (isso, depois de jogá-lo ao chão). O emissário diz ao Rei que ele veio lhe pedir a permissão para recolher os mortos franceses, que são muitos, príncipes e nobres misturados não só ao homem comum, mas, também aos mercenários. O Rei lhe diz que, para falar a verdade, ele não sabe se essa permissão lhe é atribuição, uma vez que não sabe quem venceu a batalha ("não sei se o dia foi nosso"), ao que o emissário lhe responde "o dia é seu". O Rei, então, pasmo e agradecido, decreta pena de morte a quem do seu exército se gabar dessa vitória, uma vez que, sem dúvida a vitória lhes veio de Deus. Ele diz que todos devem reconhecer que nesse dia "Deus lutou por nós". Decreta, mais, que se iniciem os Santos Ritos dos Mortos e que todos marchem em direção a uma vila próxima, cantando o TE DEUM e o NON NOBIS. De acordo com uma matéria que encontrei, o NON NOBIS é baseado no Salmo 115, que diz, numa tradução livre "Não a nós, Senhor, não a nós, mas, ao seu Nome, devemos dar glórias" (Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloria). De acordo com a mencionada matéria, este salmo celebra a derrota dos exércitos egípcios e a libertação de Israel por Deus, na passagem do Mar Vermelho.

São Paulo, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Terrorismo de blasfêmias

Autor: Edson Oliveira   |   12:04   1 comentário

A Revolução Cultural segue, através de seus fundamentalistas, jogando seus aviões de blasfêmias contra os edifícios das convicções católicas.

Desta vez foi no Chile, onde ocorreu o evento denominado “Vírgenes Fashion Show”. Trata-se de uma profanação em que mulheres seminuas, representando Nossa Senhora, desfilaram em uma passarela de "modas".

Cabe lembrar a condenação que Nossa Senhora em Fátima fez, em 1917, às modas imorais. Agora, estas modas muito mais imorais que as daquela época - e que foram ganhando cada vez mais espaço no decorrer do tempo nos lares católicos - são utilizadas contra a própria Nossa Senhora.

É lamentável constatar a inércia de muitos católicos perante estes atos de terrorismo à Fé católica. Mais ainda, o quanto dói dizer da "reação" dialogante do episcopado chileno, mais preocupado em debater a "livre expressão" no estado de direito do que conclamar os católicos para, por exemplo, vigílias diante do Santíssimo Sacramento como forma de reparação dessa grave ofensa: “Nuestra palabra no es una palabra de condenación ni de censura: es una posibilidad que tenemos de expresar nuestro gran amor a la Virgen María y pedir que podamos debatir acerca de lo que es efectivamente la libre expresión dentro de un estado de derecho“, assim declarou o comunicado do Comitê Permanente do Espiscopado chileno lido pelo bispo auxiliar de Santiago, Mons. Contreras. (Os negritos são nossos).

Tais atentados são justificados pelo alcorão de seus fundamentalistas como simples manifestações artísticas ou como legítima "diversidade" cultural. Tais bombas semânticas, espalhadas em geral pela mídia, servem para desconcertar os "infiéis" da "Revolução Cultural" que gostariam de defender da profanação seus princípios mais sagrados.

Reagindo a esses atentados, a associação chilena Acción Familia está desenvolvendo uma Cruzada do Santo Rosário em desagravo à Santíssima Virgem.


Clique aqui para ler as intenções sugeridas para serem colocadas na recitação do Rosário.

São Paulo, domingo, 18 de janeiro de 2009

As bênçãos do toque do sino

Autor: Edson Oliveira   |   19:10   1 comentário

(Extraído do blog Cinzas que choram)

O sino é quase tão antigo quanto à civilização.

Porém, como nós o conhecemos é um instrumento típico das igrejas católicas e dos prédios públicos da Cristandade.

Ele fica um instrumento religioso quando a Igreja Católica lhe confere suas bençãos e lhe comunica seu poder exorcístico numa cerimônia especial,

Os primeiros sinos eclesiásticos importantes apareceram nos mosteiros nos séculos IV e V, isto é, na ante-véspera e no iniciozinho da Idade Média.

Clique para ouvir os sinos da Catedral de Viena:

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Eles se generalizaram nas igrejas católicas já no século VII. Na dianteira saiu a região da Campania, na Itália, cuja capital é Nápoles. Do nome de Campânia vem a palavra "campana", com que também se designa o sino.

Mas, só a partir do auge da Idade Média, quer dizer, no século XIII que os progressos na fundição dos metais permitiram aparecer os grandes sinos instalados nas catedrais e grandes igrejas.

Pouco ou mal se fala sobre este fruto abençoado da Igreja Católica que assumiu sua forma atual na Idade Média.

Alias, o quanto seus efeitos benéficos se fariam mais intensamente se hoje se eles fossem tocados como a Igreja quer!

Quantos sabem quais são os efeitos espirituais santificantes do sino das igrejas?

Eis, uma substanciosa explicação das bençãos do toque do sino feita por um digno representante do clero francês, Mons. Jean-Joseph Gaume (1802-1879), célebre pela sua ciência teológica:

Como todas as grandes e belas coisas, é à Igreja que devemos o sino.

O sino nasceu católico, por isso a Igreja o ama como a mãe ama o seu filho. Ela benze o metal de que é feito.

Logo que ele veio ao mundo, a Igreja o batizou e fez dele um ente sagrado.

Com razão, porque o sino é destinado a cantar tudo o que há de santo e de santificante na terra e no céu.

Clique aqui para ouvir os sinos da Catedral de Notre Dame de Paris:

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Pelas orações e cerimônias que o acompanham, o batismo vai dizer-lhe a sua vocação.

A Igreja sempre teve em muito respeito o sino, o que se mostra com novo esplendor nas preces e nas cerimônias do seu batismo.

Reunidos os fiéis em roda do sino, suspenso a alguns metros acima do solo, o bispo em hábitos pontificais chega majestosamente, acompanhado do clero e seguido do padrinho e da madrinha do sino.

Em nome de Deus, de quem é ministro, o bispo chama sobre essa maravilhosa criatura a virtude do Espírito Santo, que a torna fecunda no primeiro dia da criação.

Certo de ser atendido, o bispo asperge o sino, ao qual confere o poder e o dever de afastar de todos os lugares, onde seu som repercutir, as potências inimigas do homem e de seus bens: os demônios, as trombas, o raio, o granizo, os animais maléficos, as tempestades e todos os espíritos de destruição.

Vejamos sua missão positiva.

A sua voz proclamará os grandes mistérios do Cristianismo, aumentará a devoção dos cristãos, para cantar novos cânticos na assembléia dos santos, e convidará os anjos a tomar parte nos seus concertos.

O sino fará tudo isto, porque esta missão lhe é confiada em nome d'Aquele que possui todo o poder no céu e na terra.

Clique para ouvir os sinos da abadia de Ettal, Alemanha:

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Cada badalada faz retinir ao longe os dois mistérios de morte e de vida - alpha e ômega - mistérios necessários para orientar a vida do homem, consolar as suas esperanças.

Não admira, pois, que o bispo, dirigindo¬-se ao próprio sino, o dedique a um santo ou a uma santa no paraíso, e lhe diga, com uma espécie de respeitosa ternura: “Em honra de São N., a paz doravante seja contigo, caro sino”.

Como o sino deve ter um nome, é preciso também que ele tenha um padrinho e uma madrinha.

O nome é gravado no sino, abaixo da cruz em relevo, que o marca com o selo de Nosso Senhor e o consagra ao seu alto culto.

Daí vem um fato pouco notado: o amor dos verdadeiros filhos da Igreja ao sino, e o ódio que lhe têm os inimigos de Deus.

Uma das mais doces alegrias de nossos pais, ao saírem da Revolução Francesa, foi ouvir os sinos, que haviam emudecido durante muitos anos.

Este incontestável poder do sino contra os demônios do ar justifica a virtude que ele goza, de dissipar os ventos e as nuvens, de afugentar diante de si o granizo e o raio, de conjurar as tempestades e os elementos desencadeados, pois que todas essas perniciosas influências da atmosfera provêm muito menos de coisas naturais do que da maldade desses gênios maléficos.

Clique para ouvir os sinos da igreja de Santa Maria Madalena, em Breslau, Alemanha :

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Nossos pais, na hora do perigo, faziam ouvir ao Pai Celeste, ao som dos sinos, seu primeiro grito de alarme. O Senhor não permanecia muito tempo insensível à voz do seu povo.

A corda que serve para tocar o sino, essa corda que sobe e desce sem cessar, indica o trabalho do pregador, e é também imagem da nossa vida.

(Fonte: Mons. Jean-Joseph Gaume, “L’Angelus au dix-neuvième siècle”, Editions Saint-Remi, 2005)

São Paulo, sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Imagem modernosa de Cristo crucificado assustava as crianças

Autor: Edson Oliveira   |   15:03   3 comentários

De acordo com a reportagem da BBCBrasil.com, a igreja anglicana de St. John (foto ao lado), em Broadbridge Heath, Inglaterra, teve que retirar da frente do templo uma grande imagem de arte moderna de Cristo crucificado porque, segundo o pastor Ewen Souter, ela "assustava as crianças".

***

Essa imagem grotesca (foto ao lado), tão ao gosto de católicos progressistas, diga-se de passagem, assusta até adultos, pelo menos os que ainda não perderam o bom senso e o zelo pela imagem sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no momento da rendenção do gênero humano.

A mencionada falta de bom senso levou o pastor a se perguntar: "Como um importante símbolo exterior para nós, estava afastando as pessoas ao invés de dar um sentimento de esperança e vida e do poder da ressurreição?".

São Paulo, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Presente de natal atrasado

Autor: Edson Oliveira   |   20:12   Seja o primeiro a comentar

Antes de tudo, espero que todos tenham passado um santo natal.

Peço desculpas aos leitores pelo presente atrasado, mas uma viagem de natal me impediu de dá-lo no momento oportuno. Segue-o:

Arcangelo Corelli (1653-1713), músico italiano, compôs, um ano antes de falecer, os "concertos para a noite de natal" - sua obra mais conhecida e mais célebre que só veio a ser publicada em 1714, ano posterior a sua morte, .

Segue um trecho da obra:

Concerto Grosso in G minor - Part 2(Christmas Concerto)



ATENÇÃO: Se você quiser ouvir a música desse vídeo e ler outros artigos, recomendamos abrir o blog em outra janela - ou aba - clique aqui .

São Paulo, terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Plinio Corrêa de Oliveira

Autor: Edson Oliveira   |   17:45   Seja o primeiro a comentar

Segue a transcrição da conferência do professor Roberto De Mattei proferida no dia 14 de dezembro de 2008 por ocasião das comemorações do 100 aniverário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira:

Excelência Rev.ma, Altezas, Autoridades, caros amigos,

Cem anos passados desde o dia de seu nascimento, treze anos decorridos após a sua morte, um véu de mistério ainda cobre a figura de Plínio Corrêa de Oliveira.

Podemos aproximar-nos desse mistério através da definição que o Cardeal Giuseppe
Pizzardo – então Prefeito da Sagrada Congregação para os Seminários – deu, em
1963, a respeito de uma das suas obras, A liberdade da Igreja no estado comunista.

Na carta que figura como prefácio desse estudo importante, o Cardeal Pizzardo o define como «um eco fidelíssimo do supremo magistério da Igreja».

Mas Plínio Corrêa de Oliveira não foi só um eco do magistério supremo e perene da Igreja apenas nas suas obras, mas também, e principalmente, em sua vida. Encarnou, por assim dizer, esse magistério, dele fazendo um ensinamento não apenas transmitido, mas sobretudo vivido à imagem de Nosso Senhor, o qual disse sobre Si mesmo: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». E o Caminho, a Verdade e a Vida de Nosso Senhor são os de seu Corpo Místico, a Igreja por Ele fundada no Calvário.

Plínio Corrêa de Oliveira conheceu e amou a história da Igreja desde as suas origens, desde o momento em que o Corpo Místico veio à luz, jorrando, com o sangue e a água, através do lado trespassado de Cristo.

Se tivesse vivido nos primeiros séculos da Igreja, ter-se-ia apresentado de cabeça erguida perante os tribunais romanos, confessando firmemente a sua fé, e teria enfrentado, com coragem indômita, as feras nas arenas do circo.

Se Plínio Corrêa de Oliveira tivesse vivido na época de Constantino – na altura em que a Igreja, ao sair das catacumbas, teve de combater contra os inimigos internos, mais perigosos que os externos –, ele teria ocupado um lugar de destaque no combate pela pureza da fé. Teria seguido Santo Atanásio quando este, perseguido pelos arianos, teve de partir para o exílio; ter-se-ia erguido publicamente contra Nestório para defender a honra de Nossa Senhora, como fez Eusébio de Dorilea, um simples leigo; teria apoiado os grandes papas como São Leão e São Gregório, os quais proclamaram a primazia de Roma nos séculos de obscuridade que antecederam a aurora luminosa da Idade Média.

O seu coração teria exultado de alegria na noite de Natal do ano 800, ocasião em que Carlos Magno foi coroado em Roma, dando origem ao Sacro Império Romano.

Na solene cerimônia em que o papa Leão III cingiu com a coroa imperial a cabeça do rei dos Francos, ele teria vislumbrado todo o esplendor da cristandade nascente. Plínio Corrêa de Oliveira, que proclamou a Cruzada do século XX, teria sido um dos primeiros a responder ao apelo do Beato Urbano II e a levar a cruz.

Teria chorado de alegria ao se aproximar, de pés descalços e a espada em punho, dos muros sagrados de Jerusalém. Teria erguido a espada não para impor a fé, mas para defender a civilização cristã, ao lado de Simão de Montfort, contra os cátaros, no coração da França, e ao lado dos cavaleiros teutônicos, contra as tribos pagãs nos países bálticos.
Na perda do espírito de cruzada ele leu o início da decadência da Idade Média, substituído pelo espírito hedonista do Humanismo, que abriu caminho à primeira grande revolução: o protestantismo, que pôs em causa a unidade do ecumenismo cristão.
Plínio Corrêa de Oliveira teria saudado com entusiasmo a entrada em campo de batalha de uma ordem religiosa, a Companhia de Jesus de Santo Inácio de Loyola.

Não teria tido nenhuma compaixão pelos revoltosos do espírito, teria participado nas controvérsias ao lado de São Francisco de Sales e São Roberto Belarmino; teria combatido contra os protestantes, na esteira de Alessandro Farnese, nas terras de Flandres, e de Wallerstein, nos territórios da Boêmia; teria lutado contra os calvinistas holandeses, ao lado do Conde de Sanfelice, na Bahia.

O espírito de cruzada não se identifica com o amor pela violência, mas sim com o desejo de oferecer a própria vida em nome de Deus. Dentro desse espírito, Plínio Corrêa de Oliveira teria derramado seu sangue no tumultuoso mar de Lepanto ou nos espaldões da Viena assediada pelos turcos.

Ninguém estudou ou conheceu, como ele, a história da Revolução Francesa, a segunda grande revolução, matriz de todos os erros de nosso tempo. Tê-la-ia enfrentado a peito aberto, a fim de decepá-la na origem.

Teria querido ser um príncipe de sangue francês, não para emigrar, mas para liderar a insurreição antijacobina na Vandéia; teria acorrido à Calábria, para junto do Cardeal Ruffo, e ao Tirol, para se colocar ao lado de Andreas Hofer.

Quis a Providência que ele não fosse nada disto, mas que fosse, mais até em sua pessoa que em suas obras, o eco fidelíssimo de todas estas posições no século XX. Um eco não só do magistério perene da Igreja, mas também da vida palpitante da Esposa de Cristo, de suas lutas, dores e triunfos.

Morreu a 3 de outubro de 1995, que, no calendário antigo – aquele seguido por ele –, é o dia da festa de Santa Teresinha do Menino Jesus. A mesma Santa Teresinha que, na História de uma alma, escreve estas palavras tocantes: «Sinto vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor, de mártir; numa palavra, sinto a necessidade, o desejo de realizar por Ti, Jesus, as obras mais heróicas. Sinto no fundo da alma a coragem de um cruzado, de um zuavo pontifício: gostaria de morrer num campo de batalha, em defesa da Igreja».

Foram deste mesmo tipo o espírito e a vocação de Plínio Corrêa de Oliveira. Santa Teresinha morreu aos 24 anos de idade realizando, no sacrifício supremo de seu breve período de vida, a aspiração a essa vocação universal.

Plínio Corrêa de Oliveira viveu muito mais tempo realizando, com sua obra e seu exemplo pessoal, a mesma aspiração de Santa Teresinha. Tal como Teresa de Lisieux, também ele sentia a vocação de guerreiro e sacerdote, de apóstolo, doutor e mártir. Tal como Teresa de Lisieux, também ele poderia ter escrito: «Gostaria de morrer num campo de batalha, em defesa da Igreja».
O seu campo de batalha foi a longa noite do século XX; com espírito de cruzado atravessou aquele que talvez tenha sido o século mais negro da história, enfrentando e combatendo até à morte o comunismo, a terceira grande revolução da história, assim como todas as formas de totalitarismo e de progressismo, laico ou católico, às quais opôs sempre o perene Magistério da Igreja.

Atravessou a noite do Concílio Vaticano II e suas conseqüências funestas, as quais ele previu no mesmo momento em que recebeu a notícia da convocatória. «Serão – afirmou – os Estados Gerais da Igreja».

Não se tratava de um juízo teológico sobre documentos doutrinais ainda não promulgados. Era uma lúcida previsão do desenvolvimento do evento histórico. E tanto nesta, como em muitas outras previsões, Plínio Corrêa de Oliveira foi profético. Plínio Corrêa de Oliveira foi um eco fidelíssimo da Igreja, uma vez que não se limitou a amar ou odiar, à luz da Igreja, tudo aquilo com que se foi confrontando ao longo de sua vida.

Amou tudo o que a Igreja havia amado, definido e promovido no decurso de dois mil anos de existência; detestou tudo o que a Igreja havia refutado, combatido, anatematizado no decorrer desses dois mil anos.

Em relação à figura de Plínio Corrêa de Oliveira, hoje devemos amar e homenagear não um homem, mas a própria Igreja, una, santa, católica, apostólica e romana; as palavras vir catholicus, apostolicus, plene romanus, que hoje lemos na lápide de seu túmulo em São Paulo, resumem a sua vocação.

Nas palavras e nos ensinamentos de Plínio Corrêa de Oliveira devemos escutar o eco de uma voz límpida e consternada, de uma voz que vem de longe e que não se extingue com o passar dos séculos; em sua vida, em seu exemplo devemos detectar uma luz que se refrata século após século, até o final dos tempos; na sua figura devemos divisar uma bandeira, tantas vezes caída, mas sempre erguida de novo.

É esta mesma bandeira que hoje voltamos a erguer do chão, com este encontro e com o nosso trabalho de todo dia. Roma, Itália e a Europa retomam a herança de Plínio Corrêa de Oliveira e renovam hoje, através das minhas palavras, o empenho de fazer de sua vida e de sua obra o nosso futuro.

São Paulo, domingo, 4 de janeiro de 2009

Conferência de Roberto De Mattei sobre Plinio Corrêa de Oliveira

Autor: Edson Oliveira   |   16:09   Seja o primeiro a comentar

Por ocasião do centenário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), em 26 novembro 2008, em Roma, no Palazzo della Cancelleria, o professor Roberto De Mattei deu um conferência muito interessante sobre esse importante pensador e homem de ação:


Link para as outras partes

Parte II:
http://it.gloria.tv/?video=pzo6fx12rrkvls7ymogn

Final:
http://it.gloria.tv/?video=dlan98oqvk0sq2vshxe5

O século de Plinio Corrêa de Oliveira

Autor: Edson Oliveira   |   10:30   Seja o primeiro a comentar

O título deste post foi retirado do artigo de Marco Respinti que assim intitulou sua reportagem sobre o centenário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (1908 - 1995) publicada no semanário italiano, muito influente nesse país, "Il Dominicale".

(Figura ao lado: símbolo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira)

O mesmo título serviu de inspiração para a publicação do artigo de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Princípe Imperial do Brasil, sobre o mesmo tema, na Folha de São Paulo (12/12/2008). (Clique aqui para ler)

O tema também foi abordado pelo deputado Lael Varella (DEM-MG) em discurso na Câmara dos Deputados (17/12/2008). (Clique aqui para ler)

Junto com essas ilustres homenagens, nos dias 11 a 14 de dezembro, ocorreram em São Paulo eventos promovidos pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira para comemorar os 100 anos de nascimento de, nas palavras do Dep. Lael Varella, "um dos maiores, senão o maior líder católico da Terra de Santa Cruz de todos os tempos".

(Foto ao lado: Jockey Club de São Paulo. Entre os participantes do envento, convém mencionar a presença do bispo lituano da cidade de Siauliai, D. Eugenius Bartulis, Mons. Gilles Wach, fundador e prior-geral do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, Príncipe D. Luiz e de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Bertrand de Orleans e Bragança e do duque Paul von Oldenburg.)

Conforme a revista Catolicismo (Janeiro/2009):

O bispo lituano da cidade de Siauliai, D. Eugenius Bartulis, celebrou a solene Missa, em rito tradicional, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em São Paulo (foto abaixo).

Atuou como presbítero assistente Mons. Gilles Wach, fundador e prior-geral do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, como diácono Frei Tiago de São José, e como subdiácono Pe. David Francisquini.

Diversos outros sacerdotes estiveram presentes.

No sermão, assim se expressou D. Bartulis:

“Hoje a Igreja celebra a solenidade de Santa Luzia. Devemos rezar e nos regozijar nesta magnífica data em que celebramos o centenário de nascimento de Dr. Plinio.

“Nesta maravilhosa igreja ele recebeu a primeira Comunhão, e nesta igreja rezou também sua mãe, que queria que seu filho fosse um bom homem no futuro. E quando Dr. Plínio tinha mais ou menos nove anos, foi nesta igreja, no altar de Nossa Senhora Auxiliadora, que ele rezou pelo seu futuro.

“No dia de hoje, nós todos agradecemos a Deus por Dr. Plinio e rezamos para que o apostolado dele esteja no coração de todos nós, para desenvolvê-lo cada vez mais. Eu rezo para que vossa organização dê muitos frutos no futuro. Deo gratias”.


Com a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, peregrina internacional que chorou em Nova Orleans, em 1972, que veio a São Paulo para as cerimônias dos cem anos do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira, no dia 14 de dezembro, foram realizadas várias conferências no Hotel Renaissance como encerramento dos eventos.
A abertura desse último ato foi feita pelo Dr. Adolpho Lindenberg (Foto ao lado), presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Entre as excelentes conferências, menciono a que mais me chamou a atenção. Ela foi proferida pelo Prof. Roberto de Mattei, presidente da Fondazione Lepanto, professor de História Moderna naUniversidade de Cassino (Itália) e vice-presidente do Conselho Nacionalde Pesquisado governo italiano. Segue um trecho:


"Plinio Corrêa de Oliveira conheceu e amou a História da Igreja desde as suas origens. Se tivesse vivido nos primeiros séculos da Igreja, teria enfrentado, com coragem indômita, as feras nas arenas do circo. Se tivesse vivido na época de Constantino, teria ocupado um lugar de destaque no combate pela pureza da fé.

(Foto ao lado: discurso do Prof. Roberto de Mattei)

"Seu coração teria exultado de alegria na noite de Natal do ano 800, ocasião em que Carlos Magno foi coroado em Roma, dando origem ao Sacro Império Romano.

"Plinio Corrêa de Oliveira, que proclamou a Cruzada do século XX, teria sido um dos primeiros a responder ao apelo do Beato Urbano II e a levar a cruz. Na perda do espírito de cruzada, ele leu o início da decadência da Idade Média.

"Não teria tido nenhuma compaixão pelos revoltosos do espírito, teria combatido contra os protestantes. Ninguém estudou ou conheceu, como ele, a história da Revolução Francesa.

"Quis a Providência que ele não fosse nada disso, mas que fosse, mais até em sua pessoa que em suas obras, o eco fidelíssimo de todas essas posições no século XX. As palavras vir catholicus, totus apostolicus, plene romanus, que hoje lemos na lápide de seu túmulo em São Paulo, resumem a sua vocação.

"Roma, Itália e a Europa retomam a herança de Plinio Corrêa de Oliveira e renovam hoje, através das minhas palavras, o empenho de fazer de sua vida e de sua obra o nosso futuro.

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O dono deste blog teve a honra de poder participar destas comemorações inesquecíveis. Para maiores detalhes, recomendo a leitura do relatório dos enventos publicado no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. (Clique aqui)

(Foto ao lado: Depois da sessão solene no auditório do Hotel Renaissance. Duque Paul von Oldenburg — descendente do Kaiser Guilherme II e da família dos czares da Rússia — membro da TFP alemã, portando a respectiva capa, e eu, tendo ao fundo o medalhão do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, com a efígie do homenageado.)