Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aborto: recuo retórico de Dilma

Autor: Edson Oliveira   |   16:00   Seja o primeiro a comentar

Segundo o jornal O Estado de São Paulo de 30 de setembro de 2010, a candidata petista à presidência da república Dilma Rousseff procurou, em discursos recentes, dissimular sua posição sobre a descriminalização do aborto.

Dilma esteve dias antes das eleições com padres e líderes protestantes, em Brasília, onde buscou "negar" seus antigos pronunciamentos favoráveis a liberalização do aborto. Já no mês passado a candidata publicou um texto intitulado "Carta ao povo de Deus" em que manifestou uma posição imprecisa - e quão precisa! - sobre o tema ao deixar para o Congresso Nacional a tarefa  de encontrar o "ponto de equilíbrio" nos projetos que envolverem questões morais como o aborto e o "casamento" de homossexuais.

Neste encontro em Brasília, Dilma afirmou que se eleita não enviará ao Congresso qualquer projeto que "vise ampliar a cobertura do Estado para os casos de aborto", sem nada dizer se vetará leis abortistas caso aprovadas no Senado. A candidata que diz ser católica e "a favor da vida", considerou o aborto como uma questão de "saúde pública", embora pessoalmente se posicionou contrária à prática.

Os atuais pronunciamentos de Dilma não trazem, na verdade, nenhuma novidade, apenas foram amenizados para confundirem o leitor. O próprio jornal O Estado de São Paulo transcreve algumas afirmações antigas dela em que, por exemplo, no ano passado, disse que duvidava que alguém se sentisse confortável em fazer um aborto, mas que isso "não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública".

Afirmar ser "pessoalmente" contra o aborto é uma maneira política de dizer que enquanto chefe da nação não dependerá de suas convicções próprias para tomar as decisões que envolvam a "saúde pública".

Se Dilma recuou em matéria de aborto, foi apenas retoricamente.

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