Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, terça-feira, 30 de abril de 2013

Excomungado padre defensor do homossexualismo - enquete no site UOL

Autor: Edson Oliveira   |   12:18   10 comentários

Nilo Fujimoto

Pe. Roberto Francisco
O comunicado da Diocese de Bauru (SP), abaixo reproduzido, refere-se à excomunhão na qual incorreu o Pe. Roberto Francisco Daniel, daquela diocese, por pertinácia e irredutível disposição de continuar professando o erro, pior, propagando.

Assim, foi sábia a decisão do Bispo diocesano de Bauru, Dom Frei Caetano Ferrari, OFM que, em comunicado oficial da diocese, diz a respeito do padre: “em nome da ‘liberdade de expressão’ traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo“.

A mídia repercutiu o fato como mostra a reportagem da UOL-Folha (29-4-13), intitulada “Igreja decide excomungar padre que defende homossexuais em SP”, cuja colaboradora Cristina Camargo escreve:

A Igreja Católica decidiu excomungar o padre de Bauru (a 329 km de São Paulo) que havia se afastado de suas atividades religiosas neste final de semana após declarações de apoio aos homossexuais (...) Conhecido por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel, 48, o padre Beto, realizou suas últimas missas neste domingo (28).”

Continua a jornalista:

“Ele havia recebido prazo do bispo de Bauru, Caetano Ferrari, 70, para se retratar e ‘confessar o erro’ cometido em declarações divulgadas na internet nas quais afirma que existe a possibilidade de amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexuais.”

É aqui evidente a apologia à infidelidade em relação aos ensinamentos perenes da Igreja Católica.

“Beto também questiona dogmas católicos e chama a atenção pelo estilo. Fora da igreja, usa piercing, anéis, camisetas com estampas "roqueiras" ou com a imagem do guerrilheiro comunista Che Guevara e frequenta choperias.”

O padre mostra-se impenitente, dizendo-se mais afinado com os dogmas da modernidade pagã do que com os da Igreja: "Se refletir é um pecado, sempre fui e sempre serei um pecador. Quem disse que um dogma não pode ser discutido? Não consigo ser padre numa instituição que no momento não respeita a liberdade de expressão e reflexão".

De fato, está fora da comunhão da Igreja Católica quem ataca sua doutrina, recebida da Sagrada Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. E não pode alegar ignorância doutrinária, pois tal ignorância não se justifica num pastor de almas, que tem o dever de ensinar essa mesma doutrina. Quanto à liberdade de expressão que ele alega, é caso de se perguntar até onde vai essa liberdade, é sem limites? Vale, por exemplo  para um padre dizer que Deus não existe ou que os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo estão errados?

Vídeo com as afirmações do sacerdote excomungado:



Eis o comunicado da Diocese de Bauru:

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru sobre o Rvedo. Pe. Roberto Francisco Daniel
29/04/2013

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru

É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.

O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.

A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.
Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .

Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.
Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.

Bauru, 29 de abril de 2013.
Por especial mandado do Bispo Diocesano, assinam os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.

* * *

Em tempo, o site UOL Notícias está fazendo uma enquete a respeito da excomunhão, se o leitor quiser se manifestar concordando com a sansão imposta ao ex-sacerdote, vote SIM.

Enquete: Você concorda com a excomunhão do padre a favor de homossexuais?
http://noticias.uol.com.br/enquetes/2013/04/29/voce-concorda-com-a-excomunhao-do-padre-a-favor-de-homossexuais.htm

_____________________

Referência: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/04/1270637-igreja-decide-excomungar-padre-que-defende-homossexuais-em-sp.shtml

Lançamento do Livro PSICOSE AMBIENTALISTA em Curitiba

Autor: Edson Oliveira   |   11:17   10 comentários


Não perca o lançamento do livro, em Curitiba, “Psicose Ambientalista” e sessão de autógrafos com o autor Dom Bertrand de Orleans e Bragança- Príncipe Imperial do Brasil.

QUINTA, DIA 09 DE MAIO, 19H30

Livrarias Curitiba – ParkShopping Barigui

• Shopping Barigüi (Loja T17)
Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza nº. 600 - Mossunguê
CEP: 81200-100 - Curitiba - PR
Telefone: (41) 3330-5185



O Livro mostra como toda a discussão sobre ambientalismo, aparentemente de ordem apenas técnica e com vistas a alcançar metas econômicas, sociais e ambientais, alegadamente benéficas, tem na verdade um viés ideológico profundo. Constitui nada menos que uma reapresentação da velha e fracassada doutrina comunista, hostil à propriedade privada, em que o vermelho do comunismo foi substituído pelo verde do ambientalismo.

São Paulo, segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ultraje a Maria

Autor: Edson Oliveira   |   18:23   9 comentários

Leo Daniele

¨Nossa Senhora é uma lâmpada que não se apaga, nem bruxuleia, e que arde só ela plenamente, nesta escuridão universal que foi a morte de seu Filho” (Plinio Corrêa de Oliveira). Entretanto, atualmente os personagens sagrados de nossa redenção estão sendo ultrajados pela peça blasfema “O Testamento de Maria”, lançada na Broadway, em Nova York, e permanecendo lá até o dia 20 de junho deste ano. A peça teatral tem como atriz principal a lésbica Fiona Shaw.

Naquelas montanhas áridas que cercam Jerusalém, deu-se uma das cenas mais tocantes da História, o encontro de Maria com Nosso Senhor, a caminho da tortura e morte: “Quem, Senhora, vendo-Vos assim em pranto, ousaria perguntar por que chorais? Nem a terra, nem o mar, nem todo o firmamento, poderiam servir de termo de comparação à vossa dor”.[1]

Pouco  depois, "ao mesmo tempo em que as pesadas lajes do sepulcro velam o Corpo do Salvador aos olhares de todos, a fé vacila nos poucos que haviam permanecido fiéis a Nosso Senhor. Mas há uma lâmpada que não se apaga, nem bruxuleia, e que arde só ela plenamente, nesta escuridão universal. É Nossa Senhora, em cuja alma a fé brilha tão intensamente como sempre. Ela crê. Crê inteiramente, sem reservas nem restrições. Tudo parece ter fracassado. Mas Ela sabe que nada fracassou. Em paz, aguarda Ela a Ressurreição. Nossa Senhora resumiu e compendiou em Si a Santa Igreja nesses dias de tão extensa deserção[2].

Soa um gongo. Estimado leitor, agora estamos no século XXI.

A peça "Testamento de Maria" investe
 contra Maria Santíssima no que
há de mais caro a Ela: seu amor materno.
A peça “O Testamento de Maria” apresenta Nossa Senhora após a crucifixão de Jesus como uma mulher com raiva, amargurada e que duvida da divindade de seu filho. É uma blasfêmia total, pois não se arroja somente contra Nossa Senhora, mas também contra Jesus.

Investe contra Maria Santíssima no que há de mais caro a Ela: seu amor materno. Uma mãe que se atira publicamente contra seu filho é coisa relativamente rara, mesmo nestes nossos dias em que tanto aborto se pratica. Quanto mais agressivo é dizer isto da Mãe das mães, Maria Santíssima!

A mãe ama seu filho quando é bom. Não o ama, porém, só por ser bom. Ama-o ainda quando mau. Ama-o simplesmente por ser seu filho, carne de sua carne e sangue de seu sangue. Ama-o generosamente, e até sem nenhuma retribuição. Ama-o no berço, quando ainda não tem capacidade de merecer o amor que lhe é dado. Ama-o ao longo da existência, ainda que ele suba ao fastígio da felicidade ou da glória, ou role pelos abismos do infortúnio e até do crime. É seu filho e está tudo dito[3].

E é exatamente contra o amor materno de Nossa Senhora que se arroja este filme! Na hora da crucifixão, Ela pensa apenas em sua própria segurança. Discorda que seu Filho seja o Filho de Deus. E que Jesus tenha por missão salvar o mundo. Diz que não é de seus seguidores, tem sempre um cigarro na mão ainda que não aceso, coisas ainda mais prosaicas que omitimos por respeito a Ela e ao leitor, e adora Artemis, equivalente grega a deusa romana Diana. Ela não recebe São João como seu filho, da maneira como Nosso Senhor pediu e o registram os Evangelhos.

Esse maravilhoso amor de Nosso Senhor para com sua Mãe, amor divino como tudo o que partia dEle, e o amor de Nossa Senhora para com Ele, obra prima do amor materno, por que razão este filme atira-se contra ambos? Gratuitamente. Há apenas uma má vontade flagrante, um ódio histórico fremente e evidente, pois como Deus afirma à serpente no livro Genesis, porei inimizades entre ti e a Mulher, entre tua descendência e a descendência dEla.

A atriz lésbica que  representa Maria Santíssima vai-se despindo ao longo da peça de duração de 90 minutos, terminando inteiramente nua!

Protestaram 350 pessoas ligadas à TFP americana em frente ao teatro com cartazes com os dizeres: "Nós oferecemos a Deus este ato público de desagravo e veemente protesto contra a peça blasfema “O testamento de Maria ". "Blasfemadores acreditam que a  liberdade de expressão é absoluta. Mas não existe o direito de mentir ... difamar ... ofender a Deus! "

Outros levavam cartazes que diziam: "Pare de blasfemar contra Nosso Senhor AGORA!"

Termino com uma inspirada indagação do Pe. Antonio Vieira (sec. XII), na sua célebre “Apóstrofe Atrevida”[4]:

No monte Calvário esteve esta Senhora sempre ao pé da Cruz, e, com aqueles algozes tão descorteses e cruéis, nenhum se atreveu a lhe tocar, nem a lhe perder o respeito. Filho da Virgem Maria, se tanto cuidado tivestes então do respeito e do decoro de vossa Mãe, como consentis agora que se lhe façam tantos desacatos?

É a pergunta que formulamos cheios de reverência.


[1] Plinio Corrêa de Oliveira, “Via Sacra” II, 4ª. estação.

[2] Plinio Corrêa de Oliveira, “Via Sacra” I, 14ª. estação.

[3] Plinio Corrêa de Oliveira, Folha de São Paulo, 18-12-96

[4] Padre Antonio Vieira. Uma das figuras mais importantes do séc. XVII, destacou-se entre outras coisas or sua oposição à invasão holandesa.

São Paulo, sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vídeo: Você pensa que conhece o Brasil?

Autor: Edson Oliveira   |   10:13   6 comentários


Assista abaixo à conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira proferida pelo Dr. Evaristo Eduardo de Miranda, pesquisador da EMBRAPA, consultor da FAPESP, FAO, OEA e UNESCO, atuante, em todo o mundo, na área de agricultura e gestão territorial. Dr. Evaristo falou sobre as reais possibilidades do agronegócio no Brasil para o século XXI e quebra uma série de mitos que inventam contra nossa pátria: subdesenvolvimento, desmatamento, escravidão.



São Paulo, quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Brasil desconhecido

Autor: Edson Oliveira   |   21:58   4 comentários

Da esquerda para a direita: Dr. Plinio Xavier, Dr. Evaristo Miranda, Dr. Adolpho Lindenberg, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Dr. Caio Xavier da Silveira e Dr. Mario Navarro

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira realizou na noite do dia 18 de abril último, diante do auditório lotado do Club Homs, em São Paulo, importante conferência do Professor Evaristo Eduardo de Miranda sobre o Brasil que os brasileiros não conhecem.

O Dr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto, abriu o evento relatando o combate de 50 anos empreendido por Plinio Corrêa de Oliveira e seus discípulos contra a Reforma Agrária socialista e confiscatória no Brasil, panaceia cujos princípios remontam à Revolução bolchevista de 1917 na URSS. Tirar os pretextos pseudocientíficos desse surrado slogan revolucionário é um trabalho ao qual o Instituto atribui extrema importância. Por sua vez, graças à Embrapa, é possível defender cientificamente a eficácia da atual agricultura brasileira e ajudá-la a progredir cada vez mais.

*       *       *
Coube ao Dr. Mario Navarro da Costa, diretor do Bureau da TFP norte-americana em Washington, apresentar o vasto currículo do conferencista — sem dúvida um dos maiores conhecedores da agricultura, da riqueza do solo e do potencial do Brasil. Além de pesquisador da Embrapa, o Dr. Evaristo Miranda é consultor da FAPESP, FAO, OEA e UNESCO, autor de diversos livros e artigos, bem como renomado conferencista internacional.
*       *       *


Os dados apresentados pelo Dr. Evaristo (foto ao lado) desvendaram ao público um Brasil desconhecido e enfatizaram como a agricultura é por excelência o setor moderno e pujante da economia nacional. O mais importante, segundo o conferencista, não é saber se o Brasil é o maior produtor disso ou daquilo, mas como ele chegou a esse patamar.

O conferencista mostrou como um incremento de volume e qualidade de pesquisas em biotecnologia e em transgênicos vem se verificando na zona agrícola, sem necessidade de expandir o respectivo território. Um exemplo surpreendente foi o resultado produzido pelo sistema de plantio direto. Ele reduziu tanto a erosão de terra no Paraná que chegou a modificar a cor das cataratas do Iguaçu de vermelho barrento para verde cristalino.

O Brasil é o País que mais protege sua fauna e sua flora, a ponto de 30% de seu território serem compostos de áreas ambientais — áreas, a bem dizer, que serviriam para a agricultura ou a pecuária. Basta comparar com dois outros grandes países — Estados Unidos e China — o primeiro dos quais protege o Alasca (!) e o segundo o deserto (!) de Gobi, ou seja, áreas não produtivas. Além do mais, a atual legislação brasileira obriga o proprietário a manter reservas florestais inclusive dentro de suas próprias terras. Não obstante isso constituir um abuso da parte do Estado, serve como mais uma prova da potência agrícola que é o Brasil.

Assim, somos o celeiro do mundo; produzimos grãos para alimentar 1 bilhão de pessoas e oferecemos três de cada quatro copos de suco de laranja bebidos mundo (75% da produção mundial); abatemos anualmente 42 milhões de bois, 35 milhões de suínos e 5,5 bilhões de frangos; no País vacas produzem 31 bilhões de litros de leite e nossas galinhas, 2,5 bilhões de dúzias de ovos.

E quem é o maior beneficiário de tudo isso? O agricultor? Não! — A população urbana, que teve o valor da cesta básica reduzido em 50% em 40 anos.


A conferência foi extremamente elucidativa, sendo impossível relatar aqui todos os dados apresentados pelo Dr. Evaristo Miranda. Por isso convidamos nossos leitores a assistirem ao vídeo completo no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira neste link.
*       *       *
No encerramento, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança (foto ao lado) chamou a atenção do público para a vocação agrária do Brasil e pediu à Providência Divina para nos ajudar a realizá-la na sua plenitude.

São Paulo, domingo, 21 de abril de 2013

A indefensável defesa do CFM à causa do aborto

Autor: Paulo Roberto Campos   |   08:36   1 comentário

 

O Conselho Federal de Medicina — que defende a criminosa prática do aborto até... três meses!!! — já foi motivo de quatro posts em nosso blog da Família (veja-os neste link). Em continuação, segue mais um post: um vídeo do SBT-Brasil no qual a apresentadora Rachel Sheherazade valentemente denuncia a vergonhosa e imoral posição do CFM (click na foto para assistir a gravação). Aliás, tal “conselho” está falando inapropriadamente em nome dos médicos brasileiros. Entretanto, alguns conselhos regionais já protestaram, pois não se sentem representados pelo CFM em sua defesa da descriminalização do aborto. A jornalista-âncora afirma que tal defesa é "uma contradição abominável". Claro como um raio de sol, pois os conhecimentos da medicina devem ser utilizados para salvar e não para matar!

 

São Paulo, quinta-feira, 18 de abril de 2013

Justiça polonesa condena partido que queria tirar crucifixo do Parlamento

Autor: Luis Dufaur   |   14:36   5 comentários

Parlamento polonês: o crucifixo disputado fica à esquerda da foto
O Tribunal Distrital de Varsóvia pronunciou-se contra um partido polonês que abriu um processo exigindo a remoção de um crucifixo da sala de debates do Parlamento nacional, informou a agência Reuters.

O processo foi mais uma tentativa cristofóbica para banir a influência do catolicismo na vida dos poloneses.

O Tribunal argüiu que esse crucifixo nunca motivou protestos, que foi sempre aceito pelos poloneses, e que não violava os seus direitos.

Justiça condenou tentativa intolerante
de tirar este crucifixo do Parlamento
O crucifixo foi instalado na câmara em 1997.

O tribunal também condenou o denunciante – o ex-magnata da vodca Janusz Palikot, líder de um partido anticlerical –, apontando a insinceridade de sua denúncia, pretensamente baseada na “tolerância”, mas de fato intolerante com os símbolos religiosos.

“O Tribunal fracassou na hora de mostrar objetividade”, redargüiu Andrzej Rozenek, um dos deputados do partido condenado.

Ele acenou que apelaria à Corte Europeia dos Direitos Humanos em Estrasburgo.

Porém, a maioria dos deputados elogiou a decisão da Justiça, por representar o sentimento da maioria dos poloneses.

“Este caso parece uma grotesca piada”, disse o deputado da oposição Andrzej Jaworski.

O partido anti-crucifixo de Palikot – que trabalha pela agenda homossexual (a qual inclui a legalização do “casamento” homossexual) e pela legalização da maconha – já conta com o primeiro deputado trans-sexual.

São Paulo, quarta-feira, 17 de abril de 2013

93% dos paulistanos apoiam redução da maioridade penal, e você?

Autor: Edson Oliveira   |   18:13   10 comentários

Manifestação na avenida Paulista em favor da redução da maioridade penal devido ao assassinato do estudante Victor Hugo Deppman.
Segundo pesquisa realizada pela Datafolha, 93% dos paulistanos apoiam a redução da maioridade penal no Brasil para 16 anos de idade;  6% são contrários, e apenas 1% não soube responder.

O latrocínio praticado em São Paulo por um adolescente, três dias antes de completar 18 anos, ao tentar roubar o celular de um jovem universitário, Victor Hugo Deppman, suscitou o debate.

Vitor Hugo, de 19 anos, morreu com um tiro na cabeça na terça-feira à noite do dia 9 de abril, em frente ao prédio onde morava, no Bairro do Belém, depois de ser abordado e entregar seu celular sem reagir.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), embora contrário a diminuição da maioridade penal, já enviou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para ampliar o rigor contra jovens infratores.




Na contramão

PJ Estudantil de São Paulo realizou uma manifestação na Av. Paulista contra a redução da maioridade penal.
PJ Estudantil de São Paulo realizou, dia antes do assassinato, uma manifestação na avenida Paulista contra a redução da maioridade penal.
Na contramão da sociedade brasileira, dias antes, em 6 de abril, a Pastoral da Juventude Estudantil do Estado de São Paulo, em conjunto com a PJ do Regional Sul 1 da CNBB, fez uma manifestação na avenida Paulista contra a Redução da Maioridade Penal.

E você, leitor, o que pensa sobre isso?

São Paulo, terça-feira, 16 de abril de 2013

Um assassino em série mata com tesoura 100 recém-nascidos, mas a mídia se cala... é um médico abortista

Autor: Helio Dias Viana   |   11:35   3 comentários

O julgamento começou, mas a mídia americana não informa. Os depoimentos são estremecedores. Segundo a polícia, a clínica era um matadouro
Javier Lozano/ReL1
(Tradução Helio Viana)

Clinica de aborto do Dr. Kermit Gosnell.
O establishment e a cultura do politicamente correto penetraram em todos os âmbitos da sociedade. Por isso, boa parte dos meios de comunicação não publica diretamente nada que questione o aborto e suas consequências, nem sequer seus métodos, embora estes impliquem um exagerado número de mortes. Se o aspecto moral não lhes importa, que pelo menos lhes importasse o legal. Mas tampouco.

Esta cultura da morte, que se revelou no “caso Morín”2 da Espanha, chegou também aos EUA, onde produziu um completo apagão informativo quanto ao que deveria constituir um dos julgamentos mais importantes da história daquele país.

Cravava as tesouras nos bebês

Trata-se de Kermit Gosnell, um autêntico assassino em série, acusado de ter praticado mais de cem assassinatos, aos quais deveriam somar-se os milhares que realizou meio do aborto durante mais de 30 anos. Eis a acusação formal da Promotoria: “Os bebês nasceram viáveis e Gosnell os matou, depois de lhes cravar tesouras na medula espinhal. Ele ensinou seus auxiliares a fazerem o mesmo”.

Para resumir, Gosnell matava as crianças nascidas cortando-lhes com uma tesoura a medula espinhal, além de sedar várias mulheres para matar seus filhos. A isso seria preciso aduzir a má prática que teria levado à morte de uma mãe e a pôr em risco a vida de muitas mais.

Silêncio total da mídia

Enquanto os meios de comunicação de todo o mundo dedicam grandes espaços de suas emissões televisivas ou das páginas dos jornais a assassinos em série ou a acontecimentos envolvendo crianças, neste assunto eles optaram pelo silêncio. Um americano não saberá dizer quem é Kermit Gosnell, uma vez que os grandes meios de comunicação nada informaram sobre o julgamento. Em outros casos similares, cujos assassinos em série estavam em pleno julgamento, as manchetes entravam em ebulição, as notícias afloravam e os perfis dos assassinos eram mais do que conhecidos. A mídia fazia uma festa. Mas, neste caso, não. Por quê? Basicamente porque são vítimas do aborto e de seus médicos ladrões.

O Dr. Kermit Gosnell foi preso em Filadelfia em 2011 acusado inicialmente do assassinato de sete recém-nascidos e de uma jovem mãe. Pouco depois as provas foram mais além, podendo as vítimas mortais chegar a uma centena, assassinadas depois de nascidas e cujos restos foram encontrados espalhados por vários pontos da clínica como se esta fosse um matadouro.

Diante do silêncio generalizado sobre o caso, pequenos meios de comunicação e alguns políticos pró-vida estão tentando deitar luz e honrar a verdade dando a conhecer os detalhes do julgamento e os depoimentos que ratificam o assassinato de até cem pessoas.

A clínica, um matadouro humano

Segundo o relato, a Polícia achou numerosos restos de bebês na clínica. Pés de crianças cortados e corpos inteiros eram guardados em caixas e congeladores no porão. Ademais, as medulas espinhais tinham sido cortadas. Um autêntico matadouro.

O julgamento começou tratando do assassinato de sete crianças nascidas e de uma mãe que abortou. No entanto, o depoimento das testemunhas, entre as quais se encontram funcionários [da clínica],  falam de um total de cem crianças assassinadas fora do útero ao longo de 30 anos. Ou seja, cifras que colocariam o Dr. Gosnell como um dos assassinos em série mais sanguinários dos Estados Unidos.

É tal o silêncio da grande mídia como NBC, CBS ou CNN, e inclusive das agências de notícias, que os telespectadores escreveram aos referidos meios pedindo explicações de por que deram “cobertura zero” ao julgamento contra Gosnell.

“Todo manchado de sangue”

Por exemplo, o republicano Scott Perry, do estado da Pensilvânia, criticou o presidente Barack Obama por ignorar totalmente o processo judicial em que se julga a um acusado de “realizar abortos tardios e matar uma mulher”. Critica-se que o presidente dos EUA chore pelas vítimas de Sandy Hook3 e ignore os assassinatos em série de Gosnell.

Por tudo isso, os terríveis depoimentos que estão sendo ouvidos no julgamento tampouco estão tendo transcendência. De fato, o Escritório do Promotor do Distrito de Filadélfia afirma que “nasceram bebês viáveis e Gosnell os matou cravando-lhes as tesouras em suas medulas espinhais. Ele ensinou seus auxiliares a fazerem o mesmo”.

Enquanto isso, partes e corpos inteiros se acumulavam no interior da clínica. Pode-se ouvir nas declarações:  “os móveis e os cobertores estavam manchados de sangue. Os instrumentos não haviam sido esterilizados corretamente. Os suprimentos médicos descartáveis não foram eliminados; ao contrário, eram reutilizados uma e outra vez”.

Ademais, acrescentavam que “a saída de emergência estava fechada com cadeado e os restos fetais espalhados por todas as partes – em armários, no porão, no congelador, em frascos, bolsas e recipientes de plástico. Era um ossário de bebês”.

“Não tenho tempo para isso!”

Aparecem também testemunhos de algumas mães forçadas a abortar e maltratadas por Gosnell. Robyn Reid não queria abortar quando engravidou aos quinze anos. Sua avó a levou à força e a jovem pensava que depois de explicar ao doutor que queria continuar a gravidez ele a ouviria. Mas a resposta de Gosnell foi outra: “Não tenho tempo para isto!”. Imediatamente a desnudou e lutou com ela até que conseguiu atá-la a uma maca suja enquanto a sedavam até perder a consciência.

Algo similar aconteceu em 201 com Davida Johnson, quando grávida de seis meses acudiu à clínica do acusado para abortar. Mas ela mudou de ideia depois de observar as outras pacientes de Gosnell, aturdidas e ensanguentadas na sala de recuperação. Porém, na sala de tratamento os auxiliares do médico ignoraram sua negativa: foi agredida e igualmente sedada. Ao despertar, já não estava grávida.

Como estes há muitos outros depoimentos iguais ou inclusive mais duros, mas que não puderam chegar à opinião pública pelo “apagão” informativo do caso, contrastante com as notícias mais do que anedóticas e supérfluas que se dão quando se produzem crimes chamativos nos quais há vários mortos.

______________________________

Notas: 1- http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=28675

2- Doctor Carlos Morín y 11 trabajadores de sus clínicas http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=16810

3- A tragédia em Sandy Hook, Newtown, Connecticut onde foram mortas 20 crianças por um desequilibrado mental

São Paulo, segunda-feira, 15 de abril de 2013

A missão católica na América, analisada pelo Presidente Teodoro Roosevelt

Autor: Edson Oliveira   |   10:59   5 comentários

Teodoro Roosevelt
Teodoro Roosevelt
A fé católica inspirou aquela esplêndida floração do tempo dos Reis Católicos, de energias intelectuais e morais mais exuberantes que as dos bosques virgens desta América.

Daqueles frutos sazonados do século do ouro espanhol ela criou o caráter hispano, robusto e viril, nobre e generoso, grave e valente até a temeridade; os sentimentos cavalheirescos daquela raça potente de heróis, sábios, santos e guerreiros, que nos parecem hoje legendários; daqueles corações indomáveis, daquelas vontades de ferro, daqueles aventureiros nobres e plebeus que, com pobres barcos de madeira, corriam a dobrar a terra e alargar o espaço, limitando esfericamente o Globo e completando o Planeta e abrindo, através do Atlântico, novos céus e novas terras.

Ela moveu a essa raça espanhola , que fez o que nenhum outro povo fez: descobrir um mundo e oferecê-lo a Deus, que o concedeu.

Foi um padre espanhol, o Pe. Las Casas, o que inspirou a “Lei das Índias”, tão paternais para que os espanhóis, com a transfusão de seu sangue, de sua vida e de sua fé, implantassem em nosso solo uma civilização muito distinta da de outros povos conquistadores, mais humanitária que a que mata ou escraviza raças, como o têm feito os franceses e os ingleses e nós mesmos com os índios na América do Norte.

(Trecho de discurso do Presidente americano Theodore Roosevelt em Baltimore, 1902 – transcrito e traduzido da edição espanhola da Enciclopédia ESPASA CALPE, vol. 52, p. 280)

São Paulo, sábado, 13 de abril de 2013

O relativismo relativo ou a justa relatividade da verdade

Autor: Edson Oliveira   |   09:58   Seja o primeiro a comentar

Então a afirmação "tudo é relativo" implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras?

Pe. Anderson Alves

Pe. Anderson Alves
Em outra ocasião dizíamos que o relativismo e o ateísmo absolutos são incompatíveis[i]. Pois quem afirma ser verdade que Deus não exista, não poderia negar a existência da verdade. De modo que o ateísmo absoluto nos mostra que relativismo não pode ser absoluto, só pode ser relativo.

E isso é comprovado se partimos da afirmação dos que dizem que o relativismo não nega a existência da verdade, mas somente diz que ela é sempre relativa. De fato, a afirmação de que “tudo é relativo” é muito comum nos nossos dias e pode significar algo equivocado e também algo certo. Equivocado quando quer significar que duas afirmações contraditórias podem, ao mesmo tempo, ser verdadeiras. Pois quem afirma isso deveria aceitar que duas afirmações contraditórias não podem ser contemporaneamente verdadeiras (uma vez que essa é a contraditória da afirmação anterior). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem e não podem ao mesmo tempo ser verdadeiras, não sabe realmente o que fala. A inteligência e a linguagem humanas, se querem continuar sendo reconhecidas como tais, não aceitam contradições.

“Tudo é relativo” pode significar também algo bem preciso: que a verdade indica sempre uma relação. De fato, a verdade se dá quando se afirma aquilo que é, ou se nega aquilo que não é. Em outras palavras, a verdade se dá quando a inteligência apreende o que as coisas são e as expressa em juízos. De modo que “tudo é relativo” significa que toda verdade é relativa a uma inteligência: a de quem a conhece.

E a inteligência pode ser tanto a divina quanto a humana. A divina fundamenta toda verdade natural existente, porque Deus pensa todas as coisas e depois as cria (inclusive o processo evolutivo). E a correspondência daquilo que as coisas são com o pensado por Deus sobre as coisas é a verdade natural de todas elas, intrínsecas às mesmas. O intelecto humano, por sua vez, não conhece todas as verdades, mas está em potência para conhecê-las. Sendo assim, a relação do intelecto divino com as coisas é essencial para as coisas, pois sem essa relação as coisas não podem existir; a relação do intelecto humano com as coisas naturais é acidental, pois ainda que o homem não as conhecesse, essas existem e são dotadas de uma racionalidade e de leis próprias e cognocíveis. Santo Tomás de Aquino chega a dizer que se não houvesse nenhuma inteligência, nem a divina nem a humana (o que é impossível), não haveria nenhuma verdade[ii].

Então a afirmação “tudo é relativo” implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras? Evidentemente não, pois afirmar que duas contraditórias são verdadeiras implica aceitar que duas afirmações contraditórias não são verdadeiras, o que é um absurdo. Dizer que cada verdade é relativa a um intelecto quer dizer que a verdade só existe porque é conhecida por Deus e pode ser conhecida pela inteligência humana, mas não implica que a inteligência humana conhece infalivelmente a verdade. A inteligência humana não é nem a divina nem a angélica e pode se equivocar. Mas também só essa inteligência pode reconhecer o próprio erro.

Sendo assim, quando uma afirmação é verdadeira a sua contraditória necessariamente será falsa. Isso quer dizer que se uma pessoa diz “isso que está diante de mim é um computador”, não pode dizer no mesmo tempo “isso que está diante de mim não é um computador”. Quem está certo da verdade da primeira afirmação, não pode aceitar a verdade da segunda. Isso é o princípio básico de coerência do pensamento e da linguagem humana. Quem nega esse primeiro princípio se torna incapaz de fazer qualquer afirmação, de raciocinar, de dialogar, de viver em sociedade. Se torna, para continuar com o exemplo de Aristóteles, semelhante a um vegetal, com quem não é educado discutir.

E quando alguém diz: “isso é a tua verdade, mas não é a minha verdade”: há algum sentido? Certamente nesse caso deve-se analisar o conteúdo das duas afirmações e ver se ambas são realmente contraditórias e depois investigar se ambas são falsas, ou se alguma é verdadeira. No caso de que uma seja verdadeira, a sua contraditória será necessariamente falsa. E isso não implica discriminação com ninguém, pois é próprio de pessoas de inteligência considerar mais o que se diz do que quem o diz, num diálogo. Pode ocorrer que as duas afirmações não sejam contraditórias, mas verdades complementares, ou duas falsidades. É necessário saber, então, qual é o critério último para que uma afirmação seja verdadeira ou falsa. Já iniciamos aqui uma resposta, mas a aprofundaremos em outra ocasião.

O que importa agora é deixar claro que toda verdade se refere a uma inteligência. Nesse sentido, toda verdade é relativa, inclusive a verdade divina, relativa à inteligência (Logos) de Deus. E isso é o justo relativismo da verdade. Por outro lado, afirmar um relativismo absoluto, ou seja, dizer que toda afirmação é necessariamente verdadeira (ou necessariamente falsa), inclusive aquelas contraditórias, significa afirmar algo tão ilógico e antinatural que seria melhor não dizer nada: “sobre o que não se pode falar, se deve silenciar”[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma. Este artigo que publicamos acima nos foi enviado pelo próprio sacerdote.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/e-possivel-um-relativismo-absoluto Cfr. também:http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional

[ii] S. TOMÁS DE AQUINO, De Veritate q. 1, a. 2.

[iii] L. WITTGENSTEIN, Tractatus logico-philosophicus, prop. 7.

São Paulo, sexta-feira, 12 de abril de 2013

Enquete realizada pelo G1 mostra desaprovação dos leitores à união civil entre homossexuais

Autor: Edson Oliveira   |   11:55   5 comentários


O site de notícias G1, que pertence ao grupo Globo, realizou uma enquete entre seus leitores sobre à união civil entre homossexuais depois que a cantora Daniela Mercuri colocou o tema em pauta nos jornais ao assumir sua relação lésbica com uma jornalista. (Veja o resultado na figura acima e atente para o número de publicações que houve no Facebook e no Twitter)

A cantora, é embaixadora do Brasil na Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) desde 1995 e do Unaids (programa da ONU para HIV/Aids), se declara católica e diz acreditar que o uso de preservativos "é um instrumento de proteção à vida".

Em 2005, ela teve seu nome vetado por Bento XVI no concerto de natal promovido pelo Vaticano. Apesar de sua posição abertamente contrária aos ensinamentos católicos, Daniela contou em entrevista à revista "Veja" que ela e sua parceira tiveram a audácia de ir à basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Paris, para colocar as alianças, fazer orações e pedir proteção. Nada mais provocativo ao Sagrado Coração de Nosso Senhor que pregava a castidade e o casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher.

São Paulo, terça-feira, 9 de abril de 2013

Rock, Revolução e fé católica

Autor: Edson Oliveira   |   13:13   18 comentários

Por Pe. Paulo Sandes, CO

Pe. Paulo Sandes, CO
A pedido de alguns amigos e filhos espirituais faço saber minha opinião sobre o Rock.

Temos visto espalharem-se pelo mundo on line vários textos sobre o assunto. Alguns, apaixonados defensores, vestem a camisa (literalmente), andando de preto, fazendo tatuagens, deixando o cabelo comprido e assim por diante. Outros, católicos moderados defensores, dizem que desde que as letras sejam boas, desde que não tenham teor satânico, ou desde que não seja “muito pesado”, não haveria problema algum em escutar um “bom rock”. Ainda alguns, radicalmente opositores, apresentam letras satânicas, práticas desonestas, dizendo que por causa desse incentivo não se deve escutar nenhum tipo de rock.
Aqueles que me conhecem já sabem a minha posição a respeito, mas tentarei explicar de modo conciso aquilo que já sabem através de explicações em palestras e formações que já dei. Aliás, peço aos leitores desculpas antecipadas por ser péssimo escritor.

Penso que, em primeiro lugar, deveríamos definir o que seja o rock, pois só podemos admitir um valor positivo ou negativo àquilo que conhecemos. Muitos dirão: o rock é um estilo musical como outro qualquer que nasceu dentro de um determinado ambiente cultural; outros falarão que o rock é um estilo musical satânico que arrasta seus ouvintes ao mundo dos vícios e do pecado; outros ainda, que o rock é “um estilo de vida, UH! HU!”, e levantarão os dedos indicador e mindinho das mãos.

Ao meu ver, nenhuma destas posições conseguiu definir o rock como tal. E sem mais delongas defino-o do seguinte modo: o rock é um estilo musical revolucionário. Explicarei.

Em primeiro lugar, recordemos o que é a Revolução: Revolução é um atentado qualquer contra a ordem imposta por Deus na criação. O primeiro revolucionário foi o Demônio que rebelou-se contra Deus e depois fez Adão e Eva comerem o fruto proibido.

Muitas vezes temos ouvido de alguns redutos comunistas (que se dizem católicos) que “Jesus foi o maior de todos os revolucionários”. Ora, isso é um verdadeiro absurdo, pois Nosso Senhor não veio causar um mal à ordem, mas sim, Ele veio restituí-la. O mundo, que estava em verdadeira desordem por causa do pecado, tem agora a oportunidade de restabelecer a ordem através de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Voltando ao rock, muitos poderiam defender alguns pontos que consideram bons no rock. Porém, ninguém poderia discordar do fato de o rock ser um estilo musical e ainda revolucionário. E é revolucionário por contrariar a ordem. Ou alguém vai querer defender que o rock, na verdade, propagaria a ordem? O próprio modo como os instrumentos são tocados (distorção de guitarra, por exemplo) transmitem-nos uma contradição em relação à ordem que é própria à música.

Antes de entrar no seminário confesso que era um daqueles que gostava de ouvir um “bom rock”. No entanto, ao perceber o aspecto revolucionário do mesmo, renunciei completamente a este estilo.
A minha opinião é, pois, que o rock não deveria ser ouvido, por ser revolucionário. E se combatemos a revolução, devemos combatê-la como um todo e não só uma parte dela.

Compreendo, no entanto, que nem todos podem chegar rapidamente a essas compreensões.
Todavia quero deixar claro que essa postura de renunciar ao rock por ser revolucionário, é uma postura pessoal. Já expliquei muitas vezes a amigos e filhos espirituais como cheguei a essas definições e considero inútil postar essa longa história aqui. Se alguém quiser conversar comigo, estarei à disposição.

Deus abençoe a todos!

Fonte: Clique aqui

São Paulo, sexta-feira, 5 de abril de 2013

Vícios do século XXI

Autor: Edson Oliveira   |   18:42   2 comentários

Gregorio Vivanco Lopes

Não me proponho a comentar algo, mas sim a reproduzir para o leitor testemunhos da maior valia a respeito de dois vícios que assolam este nosso século XXI.

O primeiro testemunho, a respeito das drogas, é de um especialista no assunto, Dr. Osmar Terra, que põe em realce quão absurdo é querer liberar seu consumo.

O segundo é a confissão de uma conceituada jornalista, Marion Strecker, uma das pioneiras da Internet no Brasil, cofundadora do UOL. Ela reconhece, meritoriamente, ter caído no chamado cibervício, enquanto muitos usuários compulsivos da Internet se negam a reconhecer sua dependência. Mas vamos aos depoimentos. Dispenso as aspas, pois tudo é citação.
*        *        *
Osmar Terra: “Enfrentar ou liberar as drogas?” (“O Globo”, 31-12-12)

O dilema entre enfrentar ou liberar as drogas no Brasil exige mais do que uma opinião ideológica ou sociológica sobre o tema. Um ponto central desse conhecimento científico sobre as drogas, e que é rigorosamente ignorado pelos defensores da liberação, é o de que a dependência química produz uma mudança estrutural, definitiva, no cérebro humano.

Essa estrutura modificada passa a comandar a motivação do dependente e irá direcionar seus interesses e ações na busca da droga, em detrimento de todas as demais atividades. Mesmo tratado, o dependente recairá de forma cíclica.

Como médico estudioso do assunto, como secretário estadual da Saúde que fui por oito anos no Rio Grande do Sul e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, afirmo que estamos diante do mais grave problema de saúde pública e de segurança no Brasil. A progressiva liberação das drogas produzirá uma oferta ampliada e multiplicará rapidamente o número de dependentes.

Todos os países que liberaram as drogas, como a Suécia, até 1969, e a China, no século XIX, tiveram que voltar atrás, em função dos problemas sociais e de segurança, e têm hoje leis duríssimas sobre o assunto. As experiências pontuais de liberação parcial do uso como a de Portugal fracassaram, aumentando o número de dependentes em tratamento e multiplicando os homicídios.

*        *        *

Marion Strecker: “Vício” (“Folha de S. Paulo”, 7-1-13)

No meio dos feriados, por puro vício, acabo abrindo a caixa de entrada de e-mails no celular. Vejo dezenas de e-mails enviados desde a véspera. Sem pensar muito, começo a selecionar aqueles que vou apagar sem ler. E, como sempre, vou deixar na caixa postal outros e-mails, para ler talvez um dia, talvez nunca.

Meu e-mail entrou em colapso. Às vezes perco mensagem importante soterrada numa pilha imensa de bobagens. O que seria solução virou também um problema que me consome muito tempo.

Poderia dizer o mesmo do Facebook, que só não abandono de vez porque virou uma imensa agenda de contatos. Mas vejo em volta, com meus amigos, como pode ser uma compulsão.

Penso nos dias angustiantes que precederam o momento em que me dei conta de que estava totalmente viciada em Internet. A produtividade em queda, a ansiedade em alta, a mania de pular de aparelho em aparelho, de aplicativo em aplicativo, de rede social em rede social, sem necessidade nenhuma, sem objetivo definido, vagando pelo mundo on-line como zumbi. Tento ser honesta comigo mesma e me pergunto: superei o vício? Controlei a compulsão? A resposta é não. Não tinha nenhuma compulsão antes da Internet. Não estou substituindo um vício por outro. Juro.

Olho minha filha de 14 anos, e ela está muito mais viciada que eu no seu iPhone. Usa Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, essas coisas. Minha preocupação é a angústia, a ansiedade que a Internet é capaz de produzir. Eu conheço esse estado bem demais. É como andar de bar em bar, procurando algo que não se vai encontrar. É intoxicante. Faz mal à saúde.

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

São Paulo, quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rei por direito divino

Autor: Helio Dias Viana   |   10:48   1 comentário


A renúncia de Bento XVI e a eleição de Francisco. Pergunta: quem é o Papa? O carisma jurídico de um bispo que tem um primado sobre os seus confrades. Por Cristo.

Por Roberto de Mattei
(Tradução: Helio Dias Viana)

A pergunta “quem é o Papa?” surge espontaneamente toda vez que um novo Pontífice é eleito, sobretudo quando seu nome e sua história pessoal são desconhecidos do grande público. Tal não foi o caso do cardeal Joseph Ratzinger, romano de adoção, após tantos anos passados como prefeito da Congregação para a Fé; mas foi o caso de Karol Wojtyla, vindo de Cracóvia, e o é hoje o de Jorge Mario Bergoglio, proveniente de uma diocese ainda mais distante, nos confins do mundo, como ele disse no dia de sua eleição.

É compreensível que nos primeiros dias e semanas após a eleição procuremos sondar o passado próximo ou remoto do novo Pontífice, conhecer suas idéias, tendências e hábitos, para inferir, a partir de suas palavras e ações do passado, o programa do novo pontificado. O volume El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio s.j. (Vergara, Buenos Aires 2010, por Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti) já delineia o rosto de um papabile e merece ser conhecido. Menos conhecida é a reação indignada que ao referido volume dedica um estudioso argentino de orientação tradicional, Antonio Caponnetto (La Iglesia traicionada, Editorial Apóstol Santiago, Buenos Aires, 2010). Tampouco se pode entender quem seja o novo Pontífice sem conhecer o julgamento que dele faz o padre Juan Carlos Scannone, um jesuíta discípulo de Karl Rahner que o teve como aluno e que inscreve o arcebispo de Buenos Aires na “escola argentina” da teologia da libertação (La Croix, 18 de março de 2013).

A “opção preferencial pelos pobres” do cardeal Bergoglio está enraizada em particular no ensinamento de Lucio Gera e Rafael Tello, expoentes de uma “teologia do povo” caracterizada pela substituição da ideologia da revolução armada pela praxis da pobreza. Analisando em La Nación de 21 de março o “Método Bergoglio de governar”, Carlos Pagni explica a razão teológica pela qual a “periferia” ocupa o lugar central na paisagem ideológica do arcebispo Bergoglio. O pobre para ele não é uma realidade sociológica para ajudar, mas um sujeito teológico do qual aprender: “Esta atitude pedagógica tem uma raiz religiosa: a relação do povo com Deus seria mais genuína porque carece de contaminações materiais”. Também Maurizio Crippa, no Foglio de 23 de março (“A pobreza é um sinal teológico, não sociologia”) enfatiza este aspecto, recordando as origens remotas dessa atitude: “A aposta é sempre transformar a Igreja na pessoa dos pobres em marcha, melhor ainda se autoconvocados: dos Pobres de Lyon, mais tarde chamados valdenses, a todas as correntes ortodoxas ou heréticas que atravessaram a Idade Média, como os Humilhados e Frei Dolcino de Novara, com desvios que chegaram até Tolstoi; e assim em diante, num percurso de privação e regeneração que retorna idêntico, desde as ‘Cinco chagas da Santa Igreja’ de Antonio Rosmini – a quinta é precisamente ‘a escravidão aos bens eclesiásticos’ – até as teologias conciliares da Igreja pobre”.

Trata-se de temas que seria útil aprofundar. Mas, no fundo, não é esse o ponto. A vida de um homem, mesmo de um Papa, não se mede pelos gestos do passado; ela muda a cada dia e pode a cada dia ser redefinida por mudanças, maturações e correções de rota novas e inesperadas.

Mais do que despertar tais interrogações a que só o futuro poderá responder, cada mudança de pontificado deveria proporcionar ocasião para se refletir sobre o que o novo eleito representa; refletir sobre o Papado como instituição mais do que sobre o Papa como pessoa individual. E isso especialmente após um período no qual, entre 11 de fevereiro e 13 de março de 2013, a própria constituição do Papado parece ter sido profundamente ferida.

O primeiro golpe dessa flagelação foi a renúncia de Bento XVI ao pontificado, um evento canonicamente legítimo, mas de impacto histórico devastador. “Um Papa que renuncia – observou Massimo Franco – já é um evento memorável na história moderna. Mas um Pontífice que o faz na plena posse de suas faculdades mentais, dando como razão simplesmente a fragilidade proveniente da idade, quebra uma tradição plurissecular” (A crise do império vaticano, Mondadori, Milão 2013, p. 9).

Um segundo golpe à instituição foi a escolha por Bento XVI de se autodefinir como “Papa emérito”, conservando o nome e a veste pontifícia e continuando a viver no Vaticano. Canonistas renomados como Carlo Fantappié destacaram a novidade do gesto, sublinhando como “a renúncia do Papa Bento XVI colocou graves problemas a respeito da constituição da Igreja, da natureza da primazia do Papa, bem como quanto ao âmbito e a extensão dos seus poderes após a cessação do ofício” (“Papado, sede vacante e ‘Papa emérito’. Equívocos a serem evitados”, em chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350457).

A coexistência de um Papa que se apresenta como Bispo de Roma e de um bispo (porque tal é hoje Joseph Ratzinger) que se autodefine como Papa oferece a imagem de uma Igreja “bicéfala” e evoca inevitavelmente as épocas dos grandes cismas. Não se compreende a este propósito a ênfase midiática que as autoridades vaticanas quiseram dar ao ‘encontro dos dois papas’, no dia 23 de março, em Castel Gandolfo. As imagens que deram volta ao mundo e que o próprio Osservatore Romano publicou na primeira página no dia seguinte é a de dois homens que a linguagem dos símbolos coloca em pé de absoluta paridade, impedindo discernir de forma imediata quem fosse o autêntico Papa. O evento também contrasta com a garantia dada pela assessoria de imprensa da Santa Sé de que depois de 28 de fevereiro Bento XVI renunciaria ao cenário midiático, retirando-se no silêncio e na oração. Não teria sido mais prudente se o encontro tivesse se dado longe dos holofotes? Ou existe por acaso uma estratégia voluntária atrás dessa escolha midiática? Qual?

Estudioso da História do Cristianismo, Roberto Rusconi descreveu por sua vez o que vai resultar da encíclica inacabada de Joseph Ratzinger sobre a fé, em complemento das já promulgadas sobre a caridade e esperança. “A encíclica não terminada – observa Rusconi – poderia ser publicada depois como mais um texto de Joseph Ratzinger, quem durante seu pontificado sustentou repetidamente que seus últimos livros não deveriam ser considerados de nenhum modo como uma expressão direta de seu magistério pontifício” (Roberto Rusconi, A grande recusa. Por que um papa renuncia, Morcelliana, Brescia 2012, pp. 143-144). Se isso acontecer, o resultado vai ser o de minar pela base não só a autoridade dos documentos magisteriais promulgados anteriormente por Bento XVI, mas também daqueles futuramente exarados pelo seu sucessor, porque se dissolveria a distinção entre aquilo que é ato magisterial e aquilo que não é ato magisterial, diluindo o conceito de infalibilidade, do qual com freqüência se fala despro­positadamente.

Há defensores declarados de um redimensionamento do Papado, os quais geralmente invocam um texto de João Paulo II, na encíclica Ut unum sint, de 25 de maio de 1995, na qual o Papa Woytila se diz disposto a “encontrar uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova” (nº 95). Daí a distinção, feita por Giuseppe Alberigo e pela escola de Bolonha, entre a essência imutável do Papado e “as formas de exercício” nas quais ele se expressa na história (“Formas históricas de governo da Igreja”, em “O Reino”, 1º de dezembro de 2001, pp. 719-723). O inimigo de fundo é a idéia da “soberania pontifícia”, supostamente nascida na Idade Média, que estaria na origem do desvio do Papado de seu espírito original. A partir de meados do século XV, segundo outro historiador de Bolonha, Paolo Prodi, ter-se-ia iniciado uma metamorfose do Papado que modificou a instituição como um todo, levando não só a uma mudança das características institucionais dos Estados Pontifícios, convertidos em um principado temporal, mas também a uma reformulação do conceito de soberania eclesiástica inspirada na soberania política. Vitorioso sobre o conciliarismo, o Papado teria sido, no entanto, derrotado pelo Estado moderno, pois enquanto a Igreja se secularizava, o Estado se sacralizou (O Sumo Pontífice, Il Mulino, Bologna, 1983, p. 306). Porém, para os mesmos autores, a partir da Revolução Francesa, a Igreja, numa dialética frutífera com o mundo moderno, teria começado a se libertar dos grilhões do passado. Apesar de algumas fases regressivas, representadas principalmente pelos pontificados de Pio IX, Pio X e Pio XII, o Concílio Vaticano II marcaria finalmente, de acordo com Alberigo e seus discípulos, o momento da “virada”, descartando a dimensão jurídico-institucional da Igreja e abraçando uma nova visão desta, fundada nos conceitos de “comunhão” e de “povo de Deus”.

Essas teses foram novamente propostas, no plano teológico, em um recente livro dedicado ao ministério do Papa pelo decano dos eclesiólogos italianos Severino Dianich (Por uma teologia do Papado, Cinisello Balsamo, San Paolo, 2010). O fulcro da sua tese é a passagem de uma visão jurídica da Igreja, com base no critério de competência, a uma concepção sacramental, baseada na idéia de comunhão. O cerne do problema remonta à discussão havida no Vaticano II sobre a interpretação do nº. 22 da Lumen Gentium e da Nota prévia inserida por Paulo VI nesse documento, durante o que os progressistas apelidaram de “semana negra” do Concílio. As relações entre o Papa e os bispos, depois do Vaticano II, de acordo com Dianich, não podem mais ser baseadas na delegação e na subordinação. O Papa não governa “do alto” a Igreja, mas a guia na ordem da comunhão. Seu poder de jurisdição procederia, de fato, do sacramento da Ordem. E, sob esse aspecto sacramental, o Papa não é superior aos bispos. Ele, antes de ser Pastor da Igreja universal, é o Bispo de Roma, e a primazia que ele exerce sobre a Igreja universal não é de governo, mas de amor, porque, ontologicamente, como bispo, o Papa está em pé de igualdade com os outros bispos. Por isso Dianich quereria atribuir maior poder ao colégio episcopal, atribuindo a este a possibilidade de legislar com autoridade. O Papa deveria exercer de maneira nova o seu Primado, associando ao seu poder órgãos deliberativos e consultivos, tais as conferências episcopais, os sínodos ou até órgãos permanentes que o assistiriam no governo da Igreja. Tratar-se-ia de um Primado de “honra” ou de “amor”, mas não de governo e de jurisdição sobre a Igreja.

Porém, em primeiro lugar, essas teses são historicamente falsas. A história do Papado não é de fato a história de formas históricas diferentes e conflitantes entre si, mas a evolução homogênea do princípio de suprema jurisdição presente nas palavras que Jesus Cristo disse a São Pedro, e somente a ele: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 14-18). Quando São Clemente (ano 92-98 ou 100), terceiro sucessor de Pedro como Bispo de Roma, no início do império de Nerva (por volta de 97), interveio para restabelecer a unidade na igreja de Corinto, abalada por uma violenta discórdia, ele evocou o princípio da sucessão estabelecida por Cristo e pelos Apóstolos, exigindo obediência e até mesmo ameaçando com sanções se as suas disposições não fossem seguidas (Carta Propter subitas aos Coríntios, in Denz-H, nn. 101-102). O tom autoritário da carta e a veneração com que foi recebida são uma prova clara da Primazia do Bispo de Roma no final do primeiro século.

Cerca de dez anos mais tarde, Santo Inácio, Bispo de Antioquia, na viagem de Antioquia para Roma, onde foi martirizado, escreveu uma carta aos romanos na qual ele reconhece à Igreja de Roma uma posição de preeminência sobre toda a Igreja universal, dizendo: “Vós haveis instruído os outros e eu desejo que permaneçam firmes aquelas coisas que prescrevestes com o vosso ensinamento” (Epístola aos Romanos, 3, 1). Sua afirmação, tantas vezes mal interpretada, de que a Igreja de Roma “preside ao ágape”, deve ser entendida em seu sentido próprio. O “ágape” não é uma mera “caridade” genérica, mas, para Inácio, é a própria Igreja universal (que ele é o primeiro a chamar de “católica”), unida pelo vínculo do amor.

Ao longo dos séculos, o Primado pontifício, concebido como princípio ativo e central do governo da Igreja universal, permaneceu como a nota característica do Papado, assim como a constituição monárquica e hierárquica continuou a caracterizar a Igreja. Nas diferentes épocas que a Igreja percorreu, cada vez que o Papado esteve ausente ou foi fraco ou ineficaz, produziram-se cismas, heresias, agitações religiosas e sociais. Pelo contrário, as grandes reformas e a revitalização da Igreja se deram com papas que exerceram o governo usando a plenitude de seus poderes, de São Gregório VII a São Pio X.

O múnus específico do Sumo Pontífice não consiste em seu poder de Ordem, que ele tem em comum com todos os outros bispos do mundo, mas em seu poder de jurisdição, que o distingue de qualquer outro bispo, porque só no caso do Papa este poder é pleno e absoluto, e fonte do poder dos outros bispos. O poder de Magistério faz parte do Primado de jurisdição, e a infalibilidade constitui a expressão mais alta e perfeita do Primado pontifício, uma soberania ainda mais necessária do que aquela das sociedades temporais.

O poder de jurisdição é eminentemente um poder do governo. O Papa é tal porque governa a Igreja exercendo uma jurisdição doutrinária e disciplinar que não pode delegar senão parcialmente: não existe de fato uma diferença entre o poder jurídico de governo e o seu exercício, porque é inimaginável um governo cuja característica seja a de não governar. A essência do Papado tem neste sentido características imutáveis​​: é um governo absoluto que não pode ser delegado a outros no todo, mas apenas em parte. O Papado é uma monarquia absoluta na qual o Sumo Pontífice reina e governa, e que não pode ser transformada em uma monarquia constitucional em que o rei reina, mas não governa. Uma tal mudança de governo não feriria apenas sua forma histórica, mas a própria essência divina do Papado.

Não se trata de um debate abstrato, mas de um problema teológico com efeitos históricos concretos. Nossa época de mundialização dos mercados e de revolução informática assistiu ao colapso dos estados nacionais, substituídos por novos poderes, financeiros e midiáticos. Mas o caos, a fragmentação e o conflito dos novos cenários derivam precisamente desta perda de soberania, da qual é eloquente exemplo a União Europeia nascida do Tratado de Maastricht, que não se apresenta como um “super-Estado” europeu, mas como um não-estado, caracterizado pela multiplicação dos centros de decisão e pela confusão de poderes.

A autoridade e o poder dos estados nacionais e das democracias representativas se desintegram e o vazio é preenchido por lobbies ideológicos e financeiros, visíveis ou ocultos. Deverá a Igreja Católica remodelar-se com base num processo similar de pulverização, se autodemolindo? Face ao relativismo, deverá a Igreja deixar de lado a infalibilidade, como pediu o pastor valdense Paulo Ricca (​​“Il Foglio”, 19 de março de 2013), para se apresentar ao mundo fraca e demissionária, ou seja, não mais servindo-se desse carisma, que só ela possui, para contrapor sua soberania religiosa e moral aos escombros da modernidade? A alternativa é dramática, mas inevitável.

O certo é que a pergunta “quem é hoje o Papa?”, antes que à mídia deve ser dirigida à Teologia, à História e ao Direito Canônico da Igreja. Eles nos respondem que, por trás das pessoas de Bento XVI e de Francisco, há um trono papal instituído pelo próprio Cristo. O Papa São Leão Magno, que pode ser considerado o teólogo mais completo do Papado no primeiro milênio, explicou com clareza o significado da sucessão petrina, resumindo-a na fórmula: “Indigno herdeiro de São Pedro”. O Papa se tornava herdeiro de São Pedro no que dizia respeito à sua natureza jurídica e aos seus poderes objetivos, mas não em relação à sua situação pessoal e aos seus méritos subjetivos. A distinção entre o cargo e o detentor do cargo, entre a pessoa pública do Papa e a sua pessoa privada, é fundamental na história do Papado.

O Papa é o Vigário de Cristo que em seu nome e pelo seu mandato governa a Igreja. Mais do que uma pessoa privada é uma pessoa pública; mais do que um homem é uma instituição; mais do que o Papa é o Papado, no qual se resume e concentra a Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo.

____________________________

Roberto de Mattei
Sobre o autor: Roberto de Mattei nasceu em Roma, em 1948. Formou-se em Ciências Políticas na Universidade La Sapienza. Atualmente é professor de História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, no seu departamento de Ciências Históricas, de que é o diretor.

Até 2011, foi vice-presidente do Conselho Nacional de Investigação da Itália, e entre 2002 e 2006, foi conselheiro do governo italiano para questões internacionais.

Em 2008, foi agraciado pelo Papa com a comenda da Ordem de São Gregório Magno, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Igreja. É membro dos Conselhos Diretivos do Instituto Histórico Italiano para Idade Moderna e Contemporânea e da Sociedade Geográfica Italiana. É presidente da Fundação Lepanto, com sede em Roma, dirige as revistas Radici Cristiane e Nova Historica e colabora com o Pontifício Comité de Ciências Históricas.

Escreveu o livro "O Concílio Vaticano II, uma História nunca escrita", com o qual o autor recebeu o Prêmio Acqui Storia 2011 e foi finalista do Prêmio Pen Club Itália 2011.O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita.


Autor: Roberto de Mattei
Tamanho: 16cm x 23cm x 3,3cm (CxAxL)
Paginas: 544
Editora: Caminhos Romanos - Porto