Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, sábado, 18 de maio de 2013

Tempo de luto pela França

Autor: Paulo Roberto Campos   |   17:43   6 comentários



Não poderíamos deixar de registrar com suma tristeza que na França — a “Filha Primogênita da Igreja” — o “casamento” homossexual foi aprovado pelo Parlamento, bem como a adoção de crianças por “casais” do mesmo sexo.

O governo socialista de François Hollande resolveu passar com bulldozer por cima de todas as gigantescas manifestações de famílias inteiras contrárias a tal aprovação. Fato absurdo ocorrido no dia 23 de abril — sem dúvida, um dia negro que mancha a História da França.

Em Paris, os manifestantes favoráveis ao casamento tradicional foram reprimidos violentamente pela força policial por ordem do governo Hollande. Nem mesmo as crianças [como as da foto abaixo] acompanhadas por seus pais foram poupadas. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra as famílias que pacificamente lotaram ruas, avenidas e praças parisienses. [A respeito, assista o vídeo no final]


O presidente socialista declarou que a lei em favor do homossexualismo seria aprovada e ordenou às suas tropas de choque que dispersassem os manifestantes. “El pajarito chiquitito” do qual falou Nicolás Maduro talvez tenha cantado também para Hollande, pois este, agindo no mais puro estilo chavista, poderia ter acrescentado: “Aprovo porque quero, ainda que a maior parte da sociedade francesa seja declaradamente contrária ao ‘casamento’ de homossexuais e à adoção de crianças por eles!”. Declarou também tratar-se de “uma reforma que vai no sentido da evolução de nossa sociedade”. Então, na lógica do mandatário francês, retornar à época de Sodoma e Gomorra é “evolução da sociedade”...

Por sua vez, a ministra da Justiça, Christiane Taubira (principal defensora da lei recém-aprovada) — nascida na Guiana Francesa e ainda parecendo confundir civilização com barbárie — declarou que o “casamento para todos [mesmo de homem com homem e mulher com mulher] é o início de uma nova civilização”. Civilização!! Que bárbara “civilização” é essa que legaliza uma prática antinatural? Que “civilização” é essa que brutalmente reprime até mesmo pacíficas vigílias silenciosas de jovens, de pais, mães e filhos que tinham em suas mãos apenas uma vela como símbolo do protesto?! [foto abaixo] Que “civilização” é essa que sequer permite expressar opinião? [Vídeo abaixo].


Nesse sentido, um só exemplo dessa “nova civilização”: este senhor da foto abaixo, Franck Talleu, pelo simples fato de entrar com sua família num parque público (no belíssimo e famoso “Jardin de Luxembourg”, em Paris) vestindo uma blusa com o símbolo da “Manif pour tous“ (Manifestação para Todos) — um logotipo estampado na blusa que representa uma família, os pais dando as mãos aos filhos — foi preso e teve que pagar fiança para ser solto. Aí temos um vislumbre da “nova civilização” [Taubira], na qual a repressão ditatorial do governo socialista não permite sequer uma camiseta com a estampa de uma família normal, favorecendo, assim, uma “futura civilização” que deseja implantar a ditadura homossexual.
 
O Sr. Franck Talleu, no "Jardin de Louxembourg", sendo preso devido à sua blusa com o símbolo da Manifestaçao contra o "casamento" homossexual e o Boletim de Ocorrência Policial
Entretanto, apesar de tudo, continuam na França as mobilizações das famílias normalmente constituídas, como estabelecido por Deus, em defesa dos valores familiares, mesmo que tendo de se submeter às humilhações impostas pela truculência da repressão policial. São famílias que não admitem serem tachadas de “homofóbicas”, “reacionárias”, "intolerantes" etc., simplesmente por defenderem o direito das crianças a terem um pai e uma mãe. Novas manifestações pacíficas estão sendo organizadas para este mês.


No cartaz a inscrição: "Papa + Maman: y a pas mieux pour un enfant" (Papai + Mamãe: nada melhor para uma criança). À direita, uma senhora com a blusa símbolo da manifestação.
Uma vez aprovada esta lei antinatural, seus opositores pretendem agora lutar no campo jurídico, alegando, por exemplo, que uma simples lei não pode modificar a definição do casamento. Fala-se também em exigir um referendo para saber se a opinião pública francesa deseja ou não tal modificação. Mas os membros do Partido Socialista Francês não querem nem ouvir falar de referendo, pois anteveem uma fragorosa derrota...

Lamentavelmente, apesar de a França levantar-se de modo maciço contra o “casamento” homossexual, a bota do Partido Socialista de François Hollande pisou sobre a instituição familiar, já tão debilitada em nossos dias. Constatamos, uma vez mais, que socialismo e comunismo são “farinha do mesmo saco”, pois ambos desejam o mesmo regime ditatorial e anticristão.

Encerro com uma pergunta: as reações das famílias francesas não seriam sinais da futura conversão da “Douce France” conjecturada pelo grande Papa São Pio X? Com efeito, em 1911, fazendo uma analogia da França com Saulo a caminho de Damasco — quando caiu do cavalo e converteu-se, passando de perseguidor de Cristo (Saulo) a seu Apóstolo (Paulo) —, São Pio X imaginou o seguinte diálogo de Deus com a França:

— “Minha filha, por que me persegues?
— Quem és tu, Senhor?
— Sou Jesus, a Quem persegues... Porque em tua obstinação te arruínas a ti mesma.
— Senhor, que queres que eu faça?
— Levanta-te, lava as manchas que te desfiguraram, desperta em teu seio os sentimentos adormecidos e o pacto da nossa aliança e vai, filha primogênita da Igreja, nação predestinada, vaso de eleição, vai levar, como no passado, meu nome diante de todos os povos e de todos os reis da Terra”.
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São Paulo, sábado, 11 de maio de 2013

Príncipe Imperial do Brasil saúda as Mães

Autor: Edson Oliveira   |   20:12   4 comentários

Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, saúda a todas as mães do Brasil e a Nossa Senhora, Mãe de todas as mães.

São Paulo, sexta-feira, 10 de maio de 2013

URGENTE: Relatório da Embrapa desmente laudos da Funai

Autor: Edson Oliveira   |   10:38   1 comentário

Produtor rural Raul das Neves, dono de uma fazenda no Mato Grosso do Sul, mostra o documento de sua terra. Demarcação pela Funai anula o título. A foto é de Marcello Casal Jr., da Agência Brasil.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) produziu relatório entregue à Casa Civil no qual demonstra que a maioria das ocupações de índios no Mato Grosso do Sul é recente. A Funai vem exigindo a criação várias terras indígenas na região baseados em laudos que atestam a ocupação antiga do território.

O problema tomou proporções graves quando a presidente Dilma Rousseff, em visita ao Show Rural realizado em Cascavel, no Paraná, emfevereiro passado, recebeu as primeiras reclamações de produtores rurais denunciado os processos fraudulentos da Funai. Os presidentes das Federações da Agricultura dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, além da Presidente da CNA, Senadora Katia Abreu, entregaram à Presidente um relatório com as denuncias. Dilma mandou Gleisi investigar o assunto.

Gleisi botou a Embrapa no circuito e pediu um mapeamento da ocupação e das características das terras de maneira a verificar a justeza dos estudos desenvolvidos pela Funai. Na semana passada, a Embrapa finalizou o primeiro levantamento.

Em seu célebre livro Tribalismo indígena — Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, escrito há mais de 30 anos, Plinio Corrêa de Oliveira denunciou uma corrente de missionários contrária à catequização dos índios e à sua integração na sociedade. Um sistema tribal pagão é o ideal desses neomissionários orientados pela Teologia da Libertação. As previsões do autor se confirmaram por completo.

Clique aqui para pedir o seu agora mesmo.
O documento é bombástico. valendo-se de várias fontes e técnicas, incluindo imagens de satélite, a Embrapa concluiu que a presença de índios nos locais que a Funai tenta demarcar como Terra Indígena é recente ou até inexistente. A presença mais antiga data de 1990, uma área chamada de Tekoha Porã, reúne índios vindos de Naviraí (MS) e constitui uma aldeia inserida na malha urbana de Guaíra. A maioria sobrevive com Bolsa Família e cesta básica.

Nas demais áreas, os índios estão presentes a partir de 2007; em cinco delas só foi registrada a presença de índios a partir do ano passado, 2012, muitos deles vindos do Paraguai. Em quatro das 15 áreas avaliadas sequer há índios, constatou aEmbrapa.

Gleisi já encaminhou o relatório ao ministro da Justiça recomendando que os estudos da Funai no Oeste do Paraná sejam suspensos. O estudo da Embrapa explica e reforça os rumores de queda da cúpula da Funai.

A Federação da Agricultura do Paraná, que mobiliza agricultores para irem a Brasília, debita a criação da tensão ao envolvimento de setores de universidades estaduais e federais, em especial Unioeste, UEM e Unila, além do Cimi, Ministério Público e ONGs menos conhecidas.

Gleisi vai para a audiência com uma opinião formada: “Não resolveremos uma injustiça cometendo outras.” Ela defende soluções alternativas para o problema dos índios – que precisam de assentamentos, saúde, educação e programas de acesso à renda – e não com a expulsão dos produtores rurais.

Fonte: Paz no Campo

São Paulo, quinta-feira, 9 de maio de 2013

Lembranças de um tempo offline

Autor: Edson Oliveira   |   11:59   1 comentário

Trabalho com computadores desde os 14 anos de idade, especialmente em programação e construção de sites, e “naturalmente” acompanhei o desenvolvimento tecnológico da informática nos últimos 16 anos. Digo “naturalmente”, assim, entre aspas, porque é tal a velocidade do avanço na ciência da computação que um lançamento, por exemplo, de uma nova placa hoje pode facilmente tornar-se obsoleta dentro de um ano, porque os softwares cada vez mais atualizados e avançados exigem peças, por sua vez, cada vez mais potentes. O que nos obriga a estar sempre nos atualizando nessa matéria. E o “natural” acompanhamento desse desenvolvimento tecnológico facilmente se transforma em uma imposição das circunstâncias criada pela própria velocidade da inovação.

Em 1999, quando concluía meu curso de Técnico em Processamento de Dados no Colégio Estadual do Paraná, vivíamos ainda na era do disquete. O pendrive, o CD regravável (nem se pensava em DVD), Skype, teleconferências com vídeo gratuita, recebimento de e-mail no celular, tablets, Ipads (sim, me recuso a aderir ao modismo da escola marxista de Bauhaus e iniciar essa palavra com o i minúsculo, tão ao gosto do hippie esquerdista Steve Jobs), HD’s com mais de 4 GB, músicas em formato mp3, etc., tudo isso fazia parte de ficção científica. Acredite.

Naquela época – para o mundo da informática parece que o tempo passa mais rápido e o decorrer de apenas uma década parece equivaler a eras inteiras -, então, como eu dizia, naquela época as redes sociais se reduziam as salas de bate-papo dos grandes portais de internet. Muitos desses contatos online depois se transformavam em contatos reais, seja por telefone ou mesmo com um encontro para uma conversa. Isso era considerado natural, embora não sem risco, para pessoas que ainda não viviam plugadas em um computador ou celular com acesso a internet 24 horas por dia.

Uma das sensações mais agradáveis da minha infância, até hoje me lembro, foi quando, certa noite, a luz do bairro inteiro se apagou. A televisão, ainda em forma de tubo, desligava-se forçosamente. Minha mãe, então, apalpava todas as gavetas do cômodo de seu quarto a procura de velas e da caixa de fósforos. Quando um palito era aceso fazia aquele barulho inconfundível do atrito da pólvora com a caixa e surgia um clarão forte, refletindo uma enorme e temível sombra de minha mãe na parede, para, em seguida, perder rapidamente a intensidade da luz que logo tornava a aumentar e a se estabilizar assim que o palito comunicava sua chama ao pavio da vela.

A luz que saia da vela não era tão estável e forte como a da lâmpada elétrica. Mas ela dançava com a leve corrente de ar que passava pelas frestas da casa fazendo um jogo misterioso de luzes e sombras.

Bom, vela acesa e luz restabelecida, mas, e agora? O que fazer?

Sem saber ao certo quando a luz elétrica voltaria, saímos para fora de casa e procurávamos ver a extensão da área do bairro comprometida com a falta de luz. Ficávamos no portão, à luz da lua, vendo as estrelas e conversando um pouco sobre o ocorrido. Aos poucos as famílias vizinhas também começavam a sair de suas casas.

Não demorava muito para que as crianças da rua – eu era uma delas – escapassem da atenção de seus pais e se reunissem para conversar – conversa de criança, é claro! – e, como sempre, a confabulação acaba em um rápido acordo de fazer alguma brincadeira, como por exemplo pique esconde. Por duas vezes ocorreu isso em minha vida e até hoje me lembro. Depois de meia hora, a luz voltava e as crianças ouviam com desgosto seus nomes sendo pronunciados em alta voz pelos seus respectivos pais. A brincadeira tinha terminado. Entrávamos novamente em nossas casas. A TV era religada e a novela, com atores e cenários visivelmente artificiais, continuava com seu blá blá blá. Sentávamos no sofá e não tinha mais nada para fazer do que se contentar com aquilo até que o sono chegasse.

Hoje em dia, nesta época dos popularizados jogos de vídeo games e da fácil aquisição de jogos piratas, parece que muitas crianças nem sabem o que é pique esconde. Desde a infância a sociabilidade mais inocente e natural é coibida pelas ofertas de felicidade oferecidas pelo mundo da seita cibernética -sim, isso mesmo, seita, mas seria longo demais explicar isso aqui.

Hoje as crianças estão cada vez mais soturnas e dependentes da informática. As pessoas estão cada vez mais conectadas com o mundo através das redes sociais e, ao mesmo tempo, mais solitárias no mundo real. O vocabulário das conversas decaiu, o rendimento escolar está cada vez pior, divórcios e adultérios aumentaram com os contatos virtuais, a TV é uma das grandes responsáveis pelo fim das conversas entre pais e filhos e as redes sociais, jogos e toda a internet estão colocando uma pá de cal no que sobrou.

Este post já está gigantesco e meu tempo de usar a internet já está também acabando. Apenas concluo que minha intenção é tentar iniciar um debate sobre os malefícios do uso descontrolado da internet, do computador, do celular e de toda parafernália eletrônica que inunda atualmente nossos lares. Já passamos da hora de controlar o uso dessas ferramentas e de colocar elas ao nosso serviço sem nos deixar escravizar pelas mesmas.

Há abundantes matérias já escritas por especialistas sobre os males psicológicos e fisiológicos que tudo isso pode gerar em nossas vidas, mas o que talvez falta enfatizar é que podemos viver a vida sem estar conectado à internet. Regular seu uso é necessário e abandonar as redes sociais seja talvez uma obrigação... isso se queremos realmente ter uma vida social.

Desculpe pela improvisação deste post, mas, acredite, existe vida offline, e se você não consegue viver uma semana sem estar plugado saiba que patologicamente você já está dependente, não importa o pretexto que utilize!

São Paulo, quarta-feira, 8 de maio de 2013

Deepak Chopra, guru esotérico de Hollywood, cai na lógica de sua própria argumentação

Autor: Edson Oliveira   |   13:11   2 comentários

Deepak Chopra

Tido pela revista Time como uma das 100 personalidades do século XX, Deepak Chopra, indiano radicado nos EUA, abandonou a medicina para se dedicar à auto-ajuda de cunho esotérico com o qual fatura em torno de 15 milhões de dólares anuais.

Como toda besteira de auto-ajuda vive de frases de efeito, é interessante ver um dos seus maiores expoentes caindo na lógica de suas próprias ideias. Vejam o vídeo abaixo.


São Paulo, terça-feira, 7 de maio de 2013

O mundo de ponta-cabeça... Se não reagirmos!

Autor: Paulo Roberto Campos   |   11:13   5 comentários



Devido a diversas ocupações, somente hoje tomei conhecimento de um esplendido artigo que dele só lamento uma coisa: tê-lo lido (saboreado) apenas há pouco. Foi publicado na “VEJA” de 22 de abril deste mês e seu autor, José Roberto Guzzo, explicita magistralmente uma questão que toca na pele de todos nós.

Com certa frequência, devido aos temas “politicamente INcorretos” que temos tratado nesteblog, recebo e-mails adjetivando-o de “blog reacionário”. O que nos causa júbilo, pois quem reage é sinal que está vivo. O morto, ou o doente em estado terminal, não reagem. O médico não poderá acusá-los de “reacionários”...

Por que não reagir? Graças a Deus somos reacionários! Mas para a turma dos tolerantes a tudo, por mais absurdo que seja, não se pode discordar de nada. Entre tantas coisas, não se pode manifestar opinião própria criticando certos “dogmas” do mundo atual; não se pode dizer que sim é sim, que não é não; não se pode dizer que o errado é errado, que o certo é certo; não se pode dizer que bandido abaixo dos 18 anos é bandido (ele é “dimenor”); não se pode dizer que branco é branco, que negro é negro. Então o que é? — “Mais ou menos cinza, ora bolas”, poderia responder a turma (ou a ditadura) do “politicamente correto”.

É dessa maneira que tal “ditadura” espera calar a boca daqueles que desejariam expressar opinião, mas ficam com medo de manifestá-la e, assim, entrar numa encrenca. Então preferem ficar omissos ou concordar com todo mundo.

É o nosso mundo invertido com os pés para cima e a cabeça no chão. A continuar desse jeito, terei que dar razão ao jornalista Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly — que se tornou famoso com o pseudônimo Barão de Itararé — quando afirmou que "Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato”...

Abaixo transcrevo o mencionado artigo, recomendando uma atenta leitura e sua difusão entre os Amigos que ainda não entraram na UTI deste mundo e que, portanto, ainda reagem.



Um mundo escuro
José Roberto Guzzo
“Veja”, 22-4-13

Está cada vez mais difícil, em nosso mundo de hoje, encontrar inocentes. No exato momento em que estiver lendo estas linhas, o leitor poderá muito bem estar sendo culpado pela prática de algum delito sério, mesmo que não saiba disso — e provavelmente não sabe. Como poderia saber?

As noções de certo ou errado, de bem ou mal ou de justo e injusto, cada vez mais, são definidas por dezenas de "causas", em relação às quais é indispensável estar do lado correto. E que lado é esse? É o lado dos donos ou dos militantes dessas causas — tarefa complicada, considerando-se que elas se multiplicam sem parar, não têm conexão nenhuma entre si e sua própria existência, muitas vezes, é completamente desconhecida do público em geral. Com o desmanche cada vez mais rápido de qualquer valor ou princípio na atividade política, e o falecimento da ideia geral de "direita" e "esquerda", o campo do "bem" vai sendo ocupado por movimentos que defendem ou condenam todo tipo de coisa. Importa cada vez menos, também, o divisor de águas formado pelo conjunto de valores morais como integridade, decência, gratidão, generosidade, honradez, cortesia e tantos outros que marcavam a correção do indivíduo, do ponto de vista pessoal, na vida de todos os dias. O cidadão, hoje, pode ser tudo isso ao mesmo tempo, mas ainda assim não será inocente — basta não concordar com as bandeiras em voga, ou ser indiferente a elas, ou não saber que existem.

Todas essas cruzadas se declaram proprietárias exclusivas do bem e têm, cada vez mais, a certeza de que a lógica, os argumentos baseados em latos e o livre debate devem ceder lugar à fé — a fé dos dirigentes e militantes das "causas", que se julgam moralmente superiores e, portanto, autorizados a exigir que todos abram mão de seu direito a raciocinar e simplesmente concordem com eles. O lado escuro disso tudo é que a defesa de tais bandeiras está se tornando cada vez mais fanática — e o resultado é a criação, pouco a pouco, de um novo totalitarismo. Nega-se às pessoas o direito de discordar de qualquer delas e, principalmente, de criticar seja lá o que proponham: não é permitida nem a simples neutralidade, pois quem é neutro é considerado cúmplice do mal.

Os efeitos práticos são muito parecidos com os que se produzem nas ditaduras — e sua primeira vítima é a liberdade de pensar e de exprimir o que se pensa.

Muito de todo esse ruído é simplesmente cômico: além disso, ao contrário do que acontece nas tiranias, os líderes das novas causas não têm a seu dispor a força armada para obrigar o público a obedecer a suas decisões. Mas, em ambos os casos, sua atividade está gerando cada vez mais consequências na vida real. Ainda há pouco, um anúncio da agência AlmapBBDO [foto acima] mostrava um gato preto subindo no capô de um Volkswagen, numa brincadeira 100% inocente a respeito de sorte e azar. Ideia proibida, hoje em dia. Grupos que defendem a causa dos gatos, de qualquer cor, decidiram que o comercial estimulava a "perseguição" e o "desrespeito" ao gato preto, e exigiram da empresa que o comercial fosse retirado do ar. Ganharam: a Volkswagen, uma das maiores companhias do mundo, com mais de noventa fábricas, 550.000 empregados e faturamento superior a 200 bilhões de dólares em 2012, ficou com medo do pró-gato e topou, sim, cancelar o anúncio. Há uma coisa muito parecida com isso — ela se chama censura. A AlmapBBDO, uma das agências de publicidade mais respeitadas do Brasil, queria levar o comercial ao público, como a imprensa queria publicar notícias durante a ditadura militar. Mas a cruzada dos gatos, como acontecia na época em que o governo cortava as notícias que lhe desagradavam, não quis. Nas duas situações — uma pela força bruta, a outra pela pressão bruta — o resultado prático é o mesmo: aquilo que deveria ter sido publicado não o foi. Qual é a diferença?

Episódios como esse vão se tornando comuns e, para piorar as coisas, deixam atrás de si uma nuvem radioativa que contamina o ambiente do pensamento e faz com que as pessoas fujam das áreas de perigo. É muito pouco provável que a AlmapBBDO volte a criar comerciais com algum gato no enredo, ou qualquer outro animal. Para quê? Outras agências vão tomar, ou já tomaram, a decisão de cortar o reino animal do seu universo criativo — e também, por via das dúvidas, o reino vegetal e o reino mineral, pois é possível que provoquem objeções dos movimentos que atribuem direitos civis às árvores, ou às pedras, ou sabe-se lá ao que mais. Os jornalistas e os órgãos de imprensa, com frequência, vão pegando uma alergia cada vez maior a tratar de certos assuntos. "Isso vai dar confusão", ouve-se todos os dias nas redações. "Melhor a gente ficar fora dessa". O mesmo se aplica a políticos, por seu natural pavor de perder votos, a artistas que não querem ficar mal "na classe" e a mais um caminhão de gente capaz de ter posições claras, mas incapaz de arrumar coragem para falar delas em público.

É apenas natural que a situação tenha ficado assim. Não vale a pena, para a maioria, dizer o que pensa e ser imediatamente amaldiçoado como racista, cruel com os animais, homofóbico, nazista, destruidor da natureza, inimigo da fauna e da flora, poluidor de rios, lagos e mares, vendido aos interesses das "grandes empresas", carrasco das "minorias", assassino de bagres e por aí afora. Ser um mero defensor da luz elétrica, e achar natural, para isso, que sejam construídas usinas geradoras de energia passou a ser, no código da "causa ambiental", um delito grave. Pior ainda é ser chamado de "agricultor" ou "pecuarista" — as duas palavras passaram a ser utilizadas pelos militantes como um puro e simples insulto. Eis aí, por trás de todo o seu verniz de atitude moderna, democrática e defensora da virtude, a essência do totalitarismo que vai sendo imposto pelas "causas" do bem. O alicerce central de sua postura é raso e estreito: "Ou você pensa como eu, ou você é um idiota; ou você pensa como eu, ou você está errado". Ou você é coisa ainda muito pior, dependendo do grau de ira que sua opinião despertou neste ou naquele movimento.

Se discordar, por exemplo, de uma mudança na lei trabalhista, vão acusá-lo de ser a favor da volta da escravatura. Se criticar a doação de latifúndios a tribos de índios, pode ser chamado de genocida. Se achar errado o Bolsa Família, vai ser condenado como defensor da miséria. Se sustentar que o sistema de cotas para negros nas universidades tem problemas sérios, vira um racista na hora. Se julgar que os governos do PT são um exemplo mundial de incompetência, ignorância e vigarice, será incluído na lista negra dos que são contra o povo, contra a pátria e contra as eleições. Falar mal do ex-presidente Lula, então, é um caso perdido. Como ele diz em seus discursos que o seu segundo objetivo na vida é governar para os pobres (o primeiro, segundo uma confissão que fez há pouco, é "viver o céu aqui mesmo na terra"), quem não gosta do ex-presidente só pode ser contra os pobres. A alternativa é ouvir que você, até hoje, não se conforma com o fato de que "um operário tenha checado à Presidência" etc. etc., como o próprio Lula nos diz todo santo dia, há mais de dez anos.

Com certeza há pessoas boníssimas, e sinceramente interessadas no bem comum, na maioria das "causas" em cartaz hoje em dia — não lhes passaria pela cabeça, também, imaginar que estão construindo um mundo totalitário. Mas sua recusa em raciocinar um pouco mais, e em agredir a lógica um pouco menos, acaba levando-as, mesmo que não percebam, a uma postura de autoritarismo aberto diante da vida.

Um outro tóxico que alimenta essa marcha da insensatez é a ignorância. Somada à decisão de atirar primeiro nos fatos, e perguntar depois quais eram mesmo esses fatos, leva a episódios de circo como o movimento "Gota d"Água" — no qual um grupo de atores e atrizes tentou demonstrar, no fim de 2011, que a usina de Belo Monte seria uma catástrofe sem precedentes para o Rio Xingu e para a ecologia brasileira em geral. No vídeo que gravaram com o propósito de provar suas razões, confundiram o Pará com Mato Grosso, colocaram a usina a mais de 1.000 quilômetros do lugar onde está sendo construída e denunciaram a inundação de terras ocupadas por índios — quando não há um único índio na área a ser alagada. Foi um desempenho digno de entrar na lista das piores respostas do Enem. Mas os artistas continuam achando que estão certíssimos; sua "causa" é justa, dizem eles, e meros fatos como esses não têm a menor importância, pois o que interessa é o triunfo do bem.

"Não há expediente ao qual o homem deixará de recorrer para evitar o real trabalho de pensar", disse, no fim dos anos 1700, o grande mestre da arte inglesa do retrato, sir Joshua Reynolds. Hoje, mais de 200 anos depois, sua tirada é um resumo praticamente perfeito da turbina-mãe que faz girar a máquina das "causas" justas. Nada as incomoda tanto quanto o ato de pensar. Preferem receber insultos, porque podem responder com insultos — o que não toleram é a tarefa de raciocinar em cima de fatos, reconhecer realidades e convencer pelo uso da inteligência. Algum tempo atrás esta revista publicou, com a assinatura do autor do presente artigo, um conjunto de considerações sobre o que julgava serem exageros, equívocos ou distorções do chamado "movimento gay". Tudo o que foi escrito ali recebeu uma fenomenal descarga de ódio, histeria e ofensas, nas quais foram incluídas diversas maldições desejando uma morte rápida para o autor. Mas o que realmente deixou a liderança gay fora de si, acima de qualquer outra coisa, foi a afirmação de que casamento de homem com homem, ou de mulher com mulher, não gera filhos. É apenas um fato da natureza — mas é exatamente isso, o fato, o pior inimigo das "causas". Não pode ser anulado por abaixo-assinados, redes sociais ou passeatas. A única saída é mantê-lo oculto pelo silêncio.

Por essa trilha, caminhamos para um mundo de escuridão.

São Paulo, sexta-feira, 3 de maio de 2013

Broadway retira peça teatral blasfema depois de protestos

Autor: Edson Oliveira   |   10:37   5 comentários


Protesto da TFP contra a peça "O Testamento de Maria"

Informam-nos dos Estados Unidos que a imunda peça “O Testamento de Maria”, que deveria permanecer em exibição até o dia 20 de junho, foi retirada.

Após uma campanha que a TFP americana, com suas capas rubras e seus estandartes, realizou diante do teatro, bem como do protesto de várias entidades e pessoas, foram obrigados a cessar aquelas apresentações blasfemas. Eles foram insultar aquela que é “bela como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha”.

Isto prova que as nossas reações não são inócuas e que devemos reagir sempre que se ponha o caso. Deo gratias!
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  • Ultraje a Maria

São Paulo, quinta-feira, 2 de maio de 2013

Blasfêmia em Roma: Em show de música, preservativo é elevado como se fosse uma hóstia

Autor: Edson Oliveira   |   14:11   5 comentários


Segundo o site do jornal italiano Corriere della Sera (1/5/2013), em Roma, na Piazza de S. Giovanni in Laterano, na presença de 700 mil pessoas (de acordo com o La Repubblica) uma blasfêmia inimaginável ocorreu durante uma apresentação de uma banda de rock.

Ao subir no palco, o líder da banda, Luca Romagnoli, levantou os braços, em um gesto sacerdotal, elevou um preservativo, como se fosse uma hóstia, e disse: "Este é o modelo que eu uso, que elimina a doença do mundo, tomai e usai todos vós, faça isso, escutai-me.". E, em seguida, desvendou a cabeça tonsurada como a de um franciscano.