Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
São Paulo, sexta-feira, 23 de maio de 2008

Uma semente de esperança que brota dos restos do Patriarca - Análise da Música Dégénération

Autor: Edson Oliveira   |   18:05   1 comentário



Análise de Frederico Viotti

Esse é um vídeo (em francês) de um grupo musical chamado "Mes Aieux". O título da música é "Dégénération". Há legendas em inglês, mas não encontrei com legendas em português. O vídeo mostra, através da música e das imagens, a deterioração provocada pelo Processo Revolucionário, conforme tão bem explicitado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Nesse filme, as imagens mostram cenas muito evocativas de um passado que não é mais desvalorizado, mas estimado. A música narra o desejo de voltar a ter um pedaço de terra, o choro da mulher abortista que sonha com uma mesa cheia de crianças... Tudo isso tem profunda relação com uma "saudade" da ordem que começa a brotar na geração atual. É, sem dúvida, um filme com uma análise RCR (Revolução e Contra-Revolução) muito interessante a ser feita.

Já no início, a maneira como a câmera filma o ambiente rústico da fazenda, as tábuas de madeira, os pregos, as plantas, a terra... É uma forma poética até. No que vejo, parece-me claramente um desejo (uma saudade) daquela ordem mais tradicional sem ser um desejo “miserabilista”, tão comum no mundo de hoje em que alguns ambientes.


Esse lado rústico é mostrado como ordenativo. Uma ordem que exigia sacrifícios, não há dúvida, mas que trazia compensações enormes. Uma "mesa repleta de crianças", uma perspectiva de guardar o fruto de seu trabalho (propriedade) acumulado através das gerações que se sucedem no cultivo da terra. A maneira como o velho avô leva o carrinho cheio de terra (um carrinho da tradição), as botas, o horizonte que aparece no fundo do semblante daquele homem marcado pelo tempo e pela experiência.

A maneira como a "tradição" é entregue através das gerações está muito clara no vídeo. Se acompanharmos as imagens, podemos reparar na terra que era carregada pelo avô e que passa de pai para filho, de filho para neto etc. Uma terra que é entregue de geração em geração. Uma terra que se perde em parte no momento da entrega (entrega ou mais precisamente tradere, em latim, de onde vem a palavra tradição), mas que é recolhida pelas gerações futuras em uma linha que marca a identidade da família, o seu berço, o seu legado e, em consequência, o seu caminho seguro rumo ao futuro. Uma família sem tradição é uma família sem identidade.

Nesse vídeo encontramos muito de tradição, família e propriedade. Princípios combatidos no mundo atual, mas que estão cada vez mais presentes no subconsciente de um número incontável de pessoas.
A tradição (terra) é entregue de geração em geração, até que chega ao mais novo, um menino, que recebe a terra através de suas mãos, como alguém que quer guardar algo daquilo que recebeu, mas que já não tem nenhum vaso apropriado. Como uma pessoa que, para beber água, junta as mãos e tenta evitar que a água escorra através de seus dedos.

No meio da terra, ele encontra a foto do bisavô (ou do tataravô) que trabalhou aquela terra que ele recebia. Aquela terra era o legado de seu antepassado. Este, era uma espécie de patriarca da família, mantendo a unidade e a identidade ao longo das décadas e séculos.

Outro dia, ouvindo a Sagrada Escritura, o Padre leu aquela passagem em que o Evangelista trata dos antepassados de Nosso Senhor. Muitas vezes ouvi aquela passagem, mas, nesse dia especificamente, me dei conta da importância dessa narrativa, como uma espécie de linha física unindo a história, como uma espécie de continuidade histórica através dos séculos. O que seria a História da Humanidade sem essa narrativa das gerações? Apenas um suceder de pessoas nascendo e morrendo sem vínculo entre elas. A Família, pelo contrário, carrega o passado e escreve o futuro.

O menino olha a foto de seu antepassado e a enterra, como plantando a semente que é a sua própria origem. Ele não queima a foto, como um revolucionário poderia fazer para representar a ruptura com seu passado, mas planta uma nova árvore que nasce forte, verde, irradiada pela luz do Sol como os homens são banhados pela luz de Deus.

Talvez o menino tenha enterrado a foto como se guarda um tesouro, sem transformá-lo em um ideal. Mas independente desse ideal brotar nesse menino, ele brotou novamente no mundo.
Enfim, essas são algumas considerações minhas sobre o vídeo.

1 comentários:

Muito bom o texto do Viotti. Já conhecia a música e o vídeo e tenho a mesma impressão sobre eles.

Tenho apenas uma visão diferente do final do vídeo. Acho que o final do vídeo evoca a esperança. Após enterrar a foto, a câmera passa aos músicos e retorna à terra, de onde se vê um broto nascendo. Mostra que todo o trabalho de "transmitir" a terra não foi em vão, e que, fincada no patriarca, a família continua a florescer.